Nos dias 26 e 27 de agosto, o Teatro de Bolso Procópio Ferreira será palco do IV Seminário Municipal de Educação para a Diversidade, iniciativa da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct). O encontro, organizado pela Escola de Formação de Educadores Municipais (Efem) e pela Diretoria Pedagógica, tem como propósito capacitar profissionais da rede pública e propor caminhos para tornar as escolas espaços mais inclusivos e comprometidos com o respeito à diversidade.
Com eixos temáticos que vão de alfabetização e diversidade até gênero, sexualidade, intolerância religiosa e corporeidades dissidentes, o evento contará com mesas redondas formadas por especialistas e educadores de diferentes áreas. A expectativa é que, ao final das discussões, sejam apresentadas até cinco propostas de intervenção a serem aplicadas na rede municipal, fortalecendo a prática pedagógica em sala de aula.
A programação terá início no dia 26, às 8h30, com a mesa “Corpos que ensinam, corpos que aprendem: educação, territorialidade e dissidências na escola”, conduzida por Luane Bento, Yasmim Duarte Conceição e Carla Aparecida da Silva Ribeiro. Às 14h, a discussão se volta à mesa “Educação para o respeito às expressões religiosas: enfrentando o racismo religioso na escola”, com Caio Sardinha, Érick Ramos de Castro e Jéssica Cristina Álvaro de Oliveira, focada no enfrentamento à intolerância religiosa.

O segundo dia abre com a mesa “Letramentos múltiplos: caminhos para uma alfabetização inclusiva e antidiscriminatória”, às 8h30, com Nize Pereira dos Santos Pedra, Ana Cristina Henrique de Paula e Paula França. Encerrando a programação, às 14h, a mesa “Quem tem medo do gênero? Formação docente, diversidade e atuação profissional” traz à cena os educadores Rafael França e Paulo Santos Freitas Júnior, aprofundando os debates sobre gênero e diversidade sexual na escola.
Para a diretora pedagógica da Seduct, Viviane Terra, o seminário marca um passo essencial no fortalecimento das políticas de diversidade no município: “Nosso objetivo é que os profissionais compreendam a legislação e tenham suporte para transformá-la em prática. Queremos construir uma rede municipal antirracista, antissexista e verdadeiramente inclusiva, capaz de refletir a pluralidade dos estudantes que atendemos.”
O gerente de Diversidade e Inclusão da Seduct, Diego Henrique Nascimento, reforça que o evento atende a uma necessidade urgente. “Acreditamos que esses debates são fundamentais para a elaboração da Política Educacional de Diversidade do município. Ao unirmos formação e proposição, fomentamos a construção de uma política mais justa e igualitária, com ampla participação de todos os envolvidos”, afirma.
Para a gerente da Efem, Talita Ernesto, o seminário é um espaço de diálogo formativo, reflexão e troca de práticas pedagógicas que reconheçam a pluralidade cultural, social e identitária presente nas escolas. “Este evento fortalece a atuação docente, amplia repertórios metodológicos e reafirma o compromisso da rede municipal com uma educação inclusiva, crítica e de qualidade para todos os estudantes”, declara Talita.
Alinhamento com a legislação
A realização do seminário também dialoga com legislações nacionais que orientam a valorização da diversidade, como a Lei 10.639/2003 e a Lei 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena. Somam-se ainda as diretrizes do Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre Educação do Campo, Quilombola e em Direitos Humanos, que destacam a importância de um currículo capaz de contemplar diferentes realidades culturais e sociais.
No âmbito nacional, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI/MEC) estabelece políticas voltadas à equidade étnico-racial, à promoção da igualdade de gênero, à valorização das identidades religiosas e culturais e ao enfrentamento da discriminação no espaço escolar. Entre as medidas defendidas estão a formação de professores para lidar com a diversidade, a ampliação da educação indígena e quilombola e a implementação de programas que combatam violências simbólicas e físicas dentro das escolas.
De acordo com a SECADI, a diversidade é entendida como um eixo estruturante da educação democrática. Suas diretrizes apontam para a superação das desigualdades educacionais e a construção de uma cultura de paz e respeito, com ênfase no reconhecimento das diferenças como riquezas pedagógicas. Esse entendimento reforça que escolas inclusivas não apenas ensinam conteúdos, mas também formam cidadãos conscientes, críticos e preparados para conviver em uma sociedade plural.
Por Jorge Rocha / Fotos: Arquivo Seduct