Em 2025, a Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) consolidou ações que aproximaram o currículo das realidades rurais, ampliaram a gestão democrática nas unidades do campo e abriram canais de diálogo com movimentos sociais e redes regionais. O saldo do ano aponta avanços concretos e abre a agenda de 2026 para transformar normas em práticas cotidianas nas comunidades camponesas, quilombolas, ribeirinhas e de pesca.
Um dos marcos foi a construção de uma matriz curricular específica para a EJA no campo, pensada para conectar o aprendizado às práticas de trabalho, cultura e saberes locais por meio de referências como a agroecologia. Em paralelo, as Orientações Curriculares da Educação do Campo foram publicadas no Portal PAE da Seduct como documento normativo com propostas temáticas e sugestões pedagógicas para todos os componentes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A medida busca oferecer material de referência para que o ensino dialogue com a vida no território e não repita modelos urbanos inapropriados.
Na dimensão administrativa, a Seduct avançou na operacionalização do PDDE Campo e Equidade, alcançando cerca de 70% das escolas das regiões educacionais. Esse movimento fortaleceu a autonomia escolar e possibilitou condições melhores para práticas pedagógicas contextualizadas. Ao longo do ano a secretaria realizou visitas técnicas em 26 escolas do campo, ações que permitiram ouvir as comunidades, identificar demandas e acompanhar a implantação das iniciativas no ambiente escolar.
A Escola Municipal Carlos Chagas foi ampliada e ganhou, por cessão do INCRA, cerca de 7.000 metros quadrados para implantação de Sistemas Agroflorestais e para novos espaços de aprendizagem. “A experiência reforça a ideia de que a escola pode ser um laboratório vivo de produção de alimentos, sustentabilidade e pesquisa pedagógica, aproximando formação, trabalho e segurança alimentar de estudantes e famílias”, aponta Marcelo Cavalcanti, assessor especial de Educação do Campo da Seduct.
A articulação institucional também ganhou força em 2025. A coordenação da Educação do Campo e Quilombola participou de fóruns interestaduais, ampliando trocas com outras regiões. Foi criada uma resolução para instalar o Comitê da Educação do Campo, das Águas e das Florestas como espaço permanente de participação e monitoramento. Houve ainda pactuação com o Novo Pronacampo, sinalizando alinhamento com diretrizes nacionais e caminhos para investimentos via FNDE.
No campo da alimentação escolar, as ações priorizaram a compra direta da agricultura familiar e o diálogo com comunidades quilombolas, fortalecendo soberania alimentar e o reconhecimento de práticas produtivas locais, segundo frisa Marcelo Cavalcanti. Também foi aplicada uma pesquisa de qualidade da educação em escolas de assentamentos e de pesca, fornecendo dados para diagnóstico e planejamento de políticas que atendam de forma diferenciada as especificidades territoriais.
Para 2026, a prioridade será consolidar a Educação do Campo como modalidade estruturante, com Projetos Político Pedagógicos adequados às diretrizes territoriais, formações continuadas para docentes e fortalecimento da gestão pedagógica nas unidades. “O desafio agora é transformar documentos em rotações pedagógicas e rotinas que falem a mesma língua das comunidades”, disse Marcelo Cavalcanti. Segundo ele, é preciso ampliar os agentes territoriais, garantir tempo e suporte técnico para estudo coletivo e fazer com que as orientações do Portal PAE orientem práticas vivas que assegurem permanência, identidade e futuro para quem vive no campo.
Por Jorge Rocha / Foto: Carlos Grevi