A Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) abriu nesta terça (28), no Palácio da Cultura, o I Colóquio de Arte-Educação Indígena, organizado pela Coordenação de Arte e voltado ao debate sobre interculturalidade e decolonialidade. A programação segue até quinta (30) e reúne educadores, pesquisadores, artistas e representantes indígenas em uma proposta de reflexão sobre o protagonismo dos povos originários, a formação docente e a presença da cultura indígena na educação e nas artes.
A agenda desta terça começou às 9h com a abertura oficial realizada pela subsecretária de Ensino, Célia Maria Ferreira. Ela destacou o caráter formativo do encontro e sua relação com a valorização dos povos originários. “É com grande satisfação que realizamos a abertura deste colóquio, um espaço que se constitui, antes de tudo, como um momento de escuta, de reconhecimento e de valorização dos povos originários”, afirmou. Ela também ressaltou que a iniciativa amplia o diálogo entre saberes e reforça a importância da Lei nº 11.645, que prevê o ensino da história e da cultura indígena na educação básica.

A primeira mesa foi “Povos indígenas e a construção da identidade nacional”, com Aristides Arthur Soffiati e Sérgio Risso, sob mediação de Maria Alice Pohlmann. O debate abordou o apagamento histórico dos povos originários na formação do Brasil e da relação entre território, meio ambiente e cultura nesse processo. Os palestrantes destacaram ainda a presença indígena na constituição social e cultural do Norte Fluminense, além da educação como caminho de reparação histórica e de reconstrução simbólica da identidade nacional.
A programação da tarde conta com a mesa “Brasil indígena, a diversidade dos povos originários e os espaços educativos”, com Diego Nascimento e Marcelo Cavalcanti, mediada por Mateus França. Entre os temas apresentados estão a pluralidade étnica, cultural e linguística dos povos indígenas no Brasil e os desafios de sua inserção no contexto escolar. A necessidade de superar estereótipos, ampliar a presença do tema nos currículos e fortalecer práticas pedagógicas que dialoguem com saberes tradicionais, reconhecendo a escola como espaço de interculturalidade também foram pontos trabalhados durante a apresentação.

Edeilson Fernandes, instrutor de Artes e Ofícios da Coordenação de Animação Cultural da Seduct, explicou que o colóquio foi pensado para articular produção artística, práticas pedagógicas e conhecimento ancestral. Segundo ele, a proposta busca promover o protagonismo indígena, refletir sobre a contribuição dos povos originários para a Educação e para as Artes e fortalecer a educação escolar indígena. “O colóquio tem como objetivo maior construir conhecimentos e práticas que respeitem as identidades e culturas dos povos originários, integrando saberes tradicionais e educativos”, disse.
A programação segue na quarta (29) com a mesa “A presença indígena na língua portuguesa, toponímia, fauna, flora e adaptação fonética”, às 9h, com Leandro Sant’Anna e Sandra Auatt, e, às 14h, com “Literatura Indígena Contemporânea, oralidade, escrita e memória”, ministrada por Adriano Moura. Os temas ampliam o olhar sobre a presença indígena no idioma, na literatura e na preservação da memória, em diálogo com a formação escolar e com a produção cultural contemporânea.

No encerramento, na quinta (30), a programação terá a mesa “Saberes tradicionais e o diálogo intercultural: aplicabilidade da Lei 11.645 na educação básica”, às 9h, com Douglas Souza, Maiara Santos, Mara Goytacá e Remu Goitacá, além da feira de artesanato da Aldeia Mara’kanã e da roda de maracá. À tarde, o evento volta a discutir a arte indígena contemporânea no Brasil com a mesa “A arte indígena contemporânea no Brasil: ancestralidade, ruptura, resistência, linguagens e urbanidades”, com Rodolfo Pontes e Danuza Rangel, e realiza ainda a oficina “Percurso Ancestral”, com Remu Goitacá. Durante os três dias, o público também pode acompanhar pintura corporal com profissionais da Animação Cultural e visitar as exposições “Povos originários: o Brasil que somos”, “Olhares Ancestrais’ e a instalação “ KD us Goyta ki tavaki? – Memória, Remorso, Compromisso”.
Por Jorge Rocha / Fotos: Carlos Grevi