Pioneirismo da Seduct em seminário sobre Educação Fiscal e Financeira

A Uenf transformou-se, nesta quinta-feira (24), em um ponto de encontro entre universidades, gestores e representantes da Receita Federal para o seminário “Educação e Cidadania Fiscal: Parcerias para a Transformação Social”. Promovido pela Pró-Reitoria de Extensão da universidade, em parceria com o Programa Cidadania Fiscal da Receita Federal e com a Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), o encontro teve como objetivo apresentar experiências práticas, fortalecer redes de colaboração e abrir caminhos para inserir a educação fiscal e a educação financeira nas escolas e na comunidade.

A mesa de abertura contou com a secretária de Educação, Ciência e Tecnologia, Tânia Alberto, que ressaltou o papel pioneiro da gestão municipal na tematização do assunto. “Foi uma iniciativa pioneira a inclusão de Educação Fiscal e Financeira nos currículos das escolas da rede municipal, em 2023, e estarmos neste seminário faz parte desse projeto de expandir e ampliar o tema, fazendo com que novas ações nesse sentido aconteçam”, disse Tânia.

A primeira palestra foi ministrada por Ana Paula Sacchi Kuhar, gerente nacional de Cidadania Fiscal da Receita Federal, que contextualizou o programa e suas linhas de ação, entre elas os Núcleos de Apoio Contábil e Fiscal e os materiais pedagógicos voltados a professores e estudantes. Ana Paula reconheceu o pioneirismo da Seduct e apontou a importância de traduzir conteúdos técnicos em atividades que dialoguem diretamente com salas de aula e projetos de extensão.

Ao longo da manhã, foram apresentadas iniciativas voltadas à transformação de mercadorias apreendidas em projetos sociais e educativos pela Receita Cidadã, coordenada por Carolina Rique Nepomuceno, e metodologias ativas voltadas ao ensino médio, por meio do Projeto Gamifica, apresentado por Eugênio César Nogueira, do Instituto Bombeiros de Responsabilidade Social. A professora Priscilla Motta Oliveira Ramos trouxe a experiência dos NAFs como espaço de prática e atendimento fiscal comunitário, que articula formação acadêmica e serviço público.

Neidimar Abreu, servidora da Seduct, falou sobre a trajetória local de implementação da educação fiscal e financeira e sobre a necessidade de ampliar a atuação nas escolas. “Após a consolidação da política de educação fiscal em nossa rede de ensino, o seminário veio para fortalecer a parceria com a Receita Federal e motivar gestores a incluir no currículo essa temática”, afirmou Neidimar. Ela explicou que o projeto de inclusão do tema nas escolas surgiu de tratativas com a Receita Federal e que, em 2023, a Seduct publicou resolução que institucionalizou essa política educacional.

As apresentações técnicas destacaram trabalhos de pesquisa e extensão da Uenf, entre eles a pesquisa do professor Carlos Maurício Fontes Vieira sobre a reciclagem de cigarros apreendidos e sua incorporação em materiais cerâmicos, e o projeto da professora Márcia Giardinieri, que transforma materiais reaproveitados em produtos artesanais a partir de fibras naturais. Ambos abordaram aspectos de segurança no manejo dos insumos, possibilidades de formação prática e alternativas de geração de renda local.

A programação prosseguiu à tarde com rodas de conversa voltadas à reciclagem de materiais, estratégias pedagógicas e à organização de núcleos de apoio contábil, fiscal e de extensão. O seminário reuniu docentes da educação básica e superior, gestores públicos, representantes da Receita Federal e lideranças comunitárias, e serviu para aproximar saberes acadêmicos e demandas locais em torno da justiça fiscal, da transparência e da participação social.

A organização do evento tem a expectativa de que ele fomente ações concretas nas redes de ensino e gere novas parcerias capazes de ampliar o alcance da educação fiscal e financeira. A proposta deixou clara a convicção de que o diálogo entre universidade, governo e sociedade civil pode produzir materiais didáticos, projetos de extensão e oportunidades de aprendizagem que conectem a compreensão sobre tributos ao exercício efetivo da cidadania.

Por Jorge Rocha / Fotos: Carlos Grevi

Compartilhe: