Na terça (14), os corredores da Escola Municipal 29 de Maio ganharam novos significados. No lugar do uso comum dos celulares, os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) descobriram como transformar os aparelhos em instrumentos de criação e autoria, durante uma oficina prática do projeto Take Livre. A atividade faz parte das ações apoiadas pelo Programa Municipal de Apoio à Economia Criativa, da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), e trouxe inovação de forma acessível ao ambiente escolar.
A proposta do Take Livre vai além da técnica. Com orientação da editora de vídeos Juliana Sandamil, os participantes aprenderam, de forma prática, como captar imagens, narrar suas próprias histórias e editar vídeos curtos utilizando apenas ferramentas gratuitas e os próprios celulares. O conteúdo, pensado especialmente para o público da EJA, foi apresentado em linguagem clara e acessível, valorizando a bagagem e o olhar de cada aluno.

Durante a oficina, os estudantes foram convidados a registrar o que consideram importante em suas vivências, promovendo o reconhecimento de suas próprias trajetórias como matéria-prima para narrativas audiovisuais. Para Adriana Crespo, gerente de Programas, Projetos e Parcerias da Subsecretaria de Ciência e Tecnologia, o impacto da ação vai além do aprendizado técnico. “O Take Livre é um exemplo de como a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa de transformação social. Estamos felizes em ver alunos da EJA utilizando seus celulares para contar suas histórias, exercendo sua criatividade e se reconhecendo como protagonistas da sua própria narrativa”, declara.
Idealizado e conduzido por Juliana Sandamil, o projeto Take Livre nasceu com o objetivo de democratizar o acesso à produção de conteúdo digital e promover inclusão no universo da cultura digital. Ao ser selecionado entre os 20 projetos contemplados pelo edital da Economia Criativa, a iniciativa passou a integrar o ambiente da Tec Incubadora, com apoio da Seduct. Essa parceria tem ampliado a presença da inovação nas escolas municipais, especialmente para públicos que, historicamente, têm menor acesso às tecnologias.

Mariana Fagundes, instrutora do Curso de Negócios Criativos da Tec Incubadora, destaca o alcance da proposta. “Desde o início, o Take Livre se destacou por sua proposta simples, mas extremamente potente: transformar o celular em um canal de expressão criativa e cidadã. A oficina conecta técnica, conteúdo e protagonismo, com resultados visíveis já nos primeiros encontros”, declara.
A atividade realizada na Escola Municipal 29 de Maio foi o primeiro protótipo do Take Livre com turmas da EJA e representa um passo importante na valorização de talentos locais, no estímulo à produção independente e no fortalecimento da economia criativa em Campos dos Goytacazes. A proposta segue com foco na formação cultural acessível e na autonomia digital, promovendo encontros entre inovação, educação e identidade.
Por Jorge Rocha / Fotos: Divulgação