Transformar o cotidiano escolar em um ambiente que reconhece identidades, histórias e direitos foi o eixo que orientou as ações de Diversidade e Inclusão desenvolvidas ao longo de 2025 pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct). A iniciativa reuniu formações, seminários, apoio às escolas quilombolas e articulação entre diferentes áreas da gestão pública, com o objetivo de aproximar o currículo das vivências culturais e sociais de Campos dos Goytacazes.
Ao longo do ano, foram realizadas formações específicas em Educação Escolar Quilombola, seminários municipais sobre diversidade e encontros de trabalho que envolveram professores, gestores e técnicos. Programas como o PDDE Equidade receberam atenção para ampliar a autonomia das escolas e viabilizar práticas pedagógicas contextualizadas. Também houve atuação direta em unidades como a EM Maria Antônia Pessanha Trindade e a EM Ponta da Palha, com foco na implantação de práticas e no acompanhamento pedagógico.
Parcerias com universidades e instituições de pesquisa foram peças centrais nas iniciativas. Institutos como o NIJUP e a UFF colaboraram em cursos e encontros, o IFF ofereceu espaço para pós-graduação, e o diálogo com as secretarias de Turismo, Saúde e Qualificação impulsionou projetos de etnoturismo, ações de saúde integral e propostas de formação profissional. Segundo Diego Henrique Nascimento, gerente de Diversidade e Inclusão da Seduct, essas articulações ampliaram o alcance das ações e facilitaram o intercâmbio entre saberes escolares e comunitários.

Ele afirma que “2026 será um ano de tradução prática das políticas. Vamos fortalecer espaços de diálogo entre equipes, consolidar formações permanentes e criar instrumentos de monitoramento para garantir que protocolos e materiais cheguem, de fato, às salas de aula”. Para Diego, é essencial que a gestão ofereça suporte técnico e tempo para que professores e comunidades construam práticas alinhadas às realidades locais.
As propostas para 2026 incluem a publicação e a difusão de materiais pedagógicos, com o Caderno Pedagógico de Educação Quilombola previsto para o início do ano e a expectativa de lançamento de um Caderno da EJA. A produção de conteúdos audiovisuais, a sistematização de recursos no Portal PAE e a criação de um calendário anual de formações visam dar continuidade às ações. No plano normativo, estão previstas orientações para o enfrentamento da violência escolar, protocolos para escolas do campo e quilombolas e diretrizes para práticas antirracistas.

A Gerência também mira a implantação de instrumentos institucionais que garantam sustentabilidade às políticas públicas. Entre as metas estão a elaboração do Plano Municipal de Educação Escolar Quilombola, a criação de centros de memória nas escolas, a formação de um Comitê da Educação do Campo e a construção de roteiros afro-brasileiros e indígenas que valorizem o patrimônio e a identidade. O desafio agora é assegurar que essas iniciativas saiam do papel e sejam percebidas no cotidiano de estudantes, famílias e comunidades.
Por Jorge Rocha / Fotos Carlos Grevi