Projeto do Mais Ciência: batalhas de rima como proposta educacional nas escolas municipais

Uma oficina realizada na segunda (04), na Escola Municipal Arthur Marechal da Costa e Silva, em Guarus, marcou mais uma etapa do EducaFlow, projeto do Mais Ciência que investiga as batalhas de rimas como ferramenta educativa em Campos dos Goytacazes. A atividade levou estudantes a conhecerem, na prática, como a cultura hip hop pode ser incorporada ao ambiente escolar de forma didática e participativa.

Durante o encontro, a equipe apresentou o histórico da cultura hip hop e o surgimento das batalhas de rimas, antes de abrir espaço para demonstrações feitas por MCs convidados. Em seguida, os estudantes foram divididos em grupos e convidados a responder, com rimas, aos desafios propostos pelos artistas, em uma dinâmica que uniu escuta, criatividade e expressão oral.

Segundo Carla Ribeiro, coordenadora do EducaFlow, a proposta vem sendo construída de forma gradual e já havia tido uma primeira experiência em dezembro de 2025, na Escola Municipal José do Patrocínio, na Penha, com cerca de 48 estudantes. Para ela, esta atividade ajudou a validar o formato da oficina e mostrou boa receptividade por parte dos alunos e dos educadores.

Carla Ribeiro explicou que o projeto nasceu da observação de um comportamento já presente no cotidiano de muitos jovens. “As batalhas de rimas fazem parte da vida de estudantes das periferias e também das redes sociais. A ideia foi transformar esse interesse em uma ponte entre cultura, educação e políticas públicas”, afirmou. Ela também destacou que o projeto dialoga com a Lei nº 10.180/2023, que criou no estado do Rio de Janeiro o programa Hip Hop nas Escolas. Na avaliação da pesquisadora, a iniciativa amplia as possibilidades de aprendizagem ao aproximar o conteúdo escolar da realidade dos estudantes e ao valorizar identidade, participação e interesse pelas atividades.

Nos encontros já realizados, a equipe identificou uma resposta positiva dos alunos e dos educadores, além de perceber o potencial da proposta como atividade pedagógica e cultural. Para Carla, o trabalho mostra que a escola pode se aproximar da linguagem dos jovens sem perder o foco no conteúdo e na formação. Com mais uma oficina prevista e a continuidade do mapeamento dos dados, o EducaFlow deve avançar na sistematização das informações e na elaboração de um diagnóstico mais consistente sobre o uso das batalhas de rima na educação.

O objetivo central, segundo Carla, é usar as batalhas de rimas como prática educativa, cultural e social nas escolas municipais, com atenção especial ao enfrentamento da evasão escolar e à valorização da juventude periférica. “Queremos criar espaços em que os estudantes possam se expressar, refletir sobre o seu tempo e desenvolver criatividade, oralidade e pensamento crítico”, disse.

A coordenadora também ressaltou a importância do apoio do Mais Ciência para que a pesquisa avance. Segundo ela, o programa garante suporte institucional e financeiro, permitindo a integração entre universidade, escola pública e território. A equipe conta com a bolsista de graduação em Ciências Sociais Paola de Souza Nogueira da Silva, além de dois bolsistas do ensino médio vinculados à FAPERJ por meio do programa Jovens Talentos. 

Por Jorge Rocha / Fotos: Divulgação

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