Usar a cultura hip hop como ferramenta pedagógica, fortalecendo o protagonismo juvenil, a expressão criativa e o interesse pela aprendizagem. Com esse objetivo, mais uma oficina de batalha de rimas foi realizada pelo projeto EducaFlow, que faz parte do Mais Ciência, programa de incentivo à pesquisa acadêmica da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), nesta segunda (15). Alunos da Escola Municipal Marechal Artur da Costa e Silva, em Guarus, participaram da atividade, que conectou educação, cultura e território.
A proposta integrou uma sequência de ações do projeto voltadas para aproximar a escola da cultura urbana e transformar a linguagem do rap em recurso educativo. Nesta edição, os participantes foram apresentados à origem do hip hop, ao funcionamento das batalhas de rimas e à metodologia desenvolvida pelo EducaFlow, antes de iniciarem as atividades práticas.
A abertura ficou a cargo de Carla Ribeiro, coordenadora do projeto, que conduziu a apresentação com apoio dos bolsistas. Em seguida, os estudantes responderam a questionários e acompanharam demonstrações feitas pelos MCs convidados Nose, Gelado e WT. Depois disso, foram divididos em grupos e desafiados a responder com rimas, em uma dinâmica que estimulou escuta, criatividade e expressão oral.

Carla explicou que a iniciativa nasceu da observação de um comportamento já presente no cotidiano de muitos jovens. “A ideia do projeto surgiu da constatação no meu campo de pesquisa de que as batalhas de rimas fazem parte do cotidiano de muitos jovens, tanto nas periferias e, hoje, especialmente nas redes sociais. O EducaFlow nasceu com o compromisso de articular cultura, educação e políticas públicas”, afirmou. Ela acrescentou que a experiência busca aproximar o conteúdo escolar da realidade dos estudantes e fortalecer identidade, participação e interesse pela aprendizagem.
A coordenadora também destacou o papel do Mais Ciência na viabilização das oficinas. Segundo ela, o programa garante apoio institucional e financeiro para que a proposta saia do papel e una pesquisa, extensão e intervenção social. Carla ressaltou ainda que o projeto conta com uma bolsista de graduação em Ciências Sociais e com dois estudantes do ensino médio ligados ao programa Jovens Talentos, com financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

A presença de iniciativas como essa nas unidades da rede municipal de ensino amplia as possibilidades de atuação pedagógica, sobretudo em escolas que enfrentam desafios ligados à vulnerabilidade social e à distorção idade série. “Ao aproximar a escola com a cultura das periferias urbanas, como o rap e o hip hop, a escola não só se torna mais inclusiva e significativa e reconhece outros espaços pedagógicos”, avaliou Diego Nascimento, gerente de Diversidade e Inclusão da Seduct. Ele afirmou que a estratégia contribui para desenvolver novas formas de ensino e para reduzir desigualdades educacionais.
Esta foi a terceira oficina de batalha de rimas promovida pelo EducaFlow. A primeira ocorreu em dezembro de 2025, na Escola Municipal José do Patrocínio, na Penha, e a segunda foi realizada em maio de 2026, na mesma unidade que recebeu a atividade desta segunda (15). O projeto conta ainda com o apoio da Manifestação Cultural de Rimas (MCR), coletivo que promove batalhas há quase 12 anos na Quadra Hugo Oliveira Saldanha, embaixo da Ponte Leonel Brizola.
Por Jorge Rocha / Fotos: Divulgação