Encontro fortalece debate sobre Educação Quilombola na rede municipal de Campos 

O Palácio da Cultura recebeu, nesta quinta (18), o “Encontro de Educação Quilombola: Práticas Pedagógicas e Formação Comunitária”. Promovida pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), por meio da Escola de Formação de Educadores Municipais (EFEM), a iniciativa reuniu professores e estudantes das escolas quilombolas da rede municipal em uma programação dedicada à valorização da identidade quilombola, ao fortalecimento dos vínculos comunitários e à troca de experiências pedagógicas desenvolvidas nos territórios atendidos pela rede.

O encontro foi pensado como um espaço de troca e reconhecimento das vivências das comunidades quilombolas, com destaque para práticas pedagógicas construídas a partir dos saberes locais. Ao longo da programação, as escolas apresentaram trabalhos desenvolvidos ao longo do ano, em uma proposta que buscou valorizar a cultura quilombola e fortalecer uma educação mais conectada à realidade dos territórios.

O encontro contou com apresentações de brincadeiras infantis, manifestações artísticas, estandes de ervas medicinais e culinária tradicional, além de outras atividades relacionadas aos conhecimentos transmitidos entre gerações nas comunidades. Participaram do encontro as escolas Salvador Benzi, Fazenda Aleluia, Conceição do Imbé, Maria Cordeiro Borges, Santo Amaro, Fazenda Chalita e Ponta da Palha. 

Segundo o gerente de Diversidade e Inclusão, Diego Nascimento, a programação nasceu da escuta das próprias escolas e do diálogo entre as unidades escolares e a rede municipal. “A proposta surgiu das experiências das escolas e das devolutivas sobre o que elas vêm desenvolvendo em valorização da identidade quilombola e de suas práticas comunitárias”, afirmou. Ele destacou ainda que o encontro ajuda a reduzir barreiras de acesso e a garantir que esses grupos também ocupem espaços institucionais de formação e visibilidade.

O assessor especial de Educação do Campo, Marcelo Cavalcanti Vianna, pontuou ainda que a iniciativa é resultado de um trabalho acumulado ao longo dos últimos anos. Segundo ele, a Seduct vem estruturando a educação do campo e quilombola como modalidade de ensino desde antes do reconhecimento formal de 2012. “Esse encontro celebra uma construção que começou há mais de dez anos e reafirma a ideia de equidade, inclusão e de um currículo vivo e contextualizado”, disse.

Marcelo acrescentou que o processo vem sendo construído desde 2009, quando a rede já promovia ações voltadas à valorização das histórias, memórias, saberes e tecnologias produzidas no campo. Para ele, a formação alcança não apenas os professores, mas também as crianças e as famílias que mantêm vivas as tradições quilombolas no cotidiano.

O Encontro de Educação Quilombola também materializa princípios que estão no centro das discussões do novo Plano Nacional de Educação (PNE). “Especialmente aqueles relacionados à promoção da equidade, ao respeito à diversidade e ao fortalecimento das identidades culturais presentes nos territórios escolares”, conforme frisa Diego. Ao valorizar os saberes quilombolas, as memórias coletivas e as práticas desenvolvidas pelas próprias comunidades, a iniciativa contribui para a construção de uma educação mais inclusiva, capaz de reconhecer diferentes trajetórias e garantir que estudantes se vejam representados no ambiente escolar.

Por Jorge Rocha / Fotos: Carlos Grevi 

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