Mais Ciência fortalece projetos que aproximam saúde, território e conhecimento em Campos 

Entre comunidades quilombolas, unidades básicas de saúde e serviços de atenção psicossocial, dois projetos desenvolvidos pelo programa Mais Ciência estão ampliando o diálogo entre conhecimento científico, território e cuidado em Campos dos Goytacazes. Coordenados por Pedro Renan Santos de Oliveira, os projetos EncruzaSUS e Pontes para a Saúde integram a iniciativa da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) voltada ao incentivo à iniciação científica e à produção de conhecimento conectado às demandas da população.

Enquanto o EncruzaSUS investiga as relações entre saúde, direitos e saberes ancestrais em comunidades quilombolas do município, o Pontes para a Saúde atua no fortalecimento das redes de cuidado em saúde mental, com foco na atuação de agentes comunitários de saúde. Embora desenvolvidos em contextos distintos, os dois projetos compartilham o objetivo de aproximar os serviços públicos das realidades vividas nos territórios.

No EncruzaSUS, as ações têm se concentrado no mapeamento das necessidades de saúde das comunidades quilombolas e na construção de vínculos com moradores, lideranças e equipamentos públicos. As atividades incluem visitas de campo, aproximação com unidades de saúde e articulações voltadas à valorização dos conhecimentos tradicionais e das formas de organização comunitária presentes nesses territórios.

Segundo Pedro Renan Santos de Oliveira, a proposta busca compreender as especificidades locais para fortalecer estratégias de cuidado mais conectadas à realidade da população. “A pesquisa tem possibilitado a aproximação com pessoas, grupos e organizações que realizam diálogos sobre a saúde quilombola e comunidades tradicionais campistas”, destaca o coordenador. A iniciativa também contribui para ampliar a visibilidade dessas comunidades e incentivar a construção de políticas públicas mais alinhadas às suas necessidades.

Já o projeto Pontes para a Saúde atua junto às equipes da Atenção Primária e da Rede de Atenção Psicossocial, promovendo processos formativos e fortalecendo a articulação entre os serviços. O trabalho envolve agentes comunitários de saúde e profissionais de diferentes unidades, com foco na ampliação da capacidade de cuidado em saúde mental e na construção de respostas mais integradas às demandas dos territórios.

De acordo com o coordenador, a escuta das equipes é uma etapa fundamental do processo. “O Pontes é um projeto que adota a territorialização em saúde como método de trabalho e, por essa razão, prioriza a compreensão dos elementos que atravessam cada unidade, tais como sentimentos e expectativas”, afirma. A estratégia permite identificar desafios específicos de cada localidade e construir soluções compatíveis com a realidade de cada serviço.

Ao longo das atividades, o projeto também contribuiu para fortalecer o papel dos agentes comunitários de saúde na rede pública. Conforme observado durante as ações, esses profissionais passaram a ser reconhecidos de forma ainda mais significativa como elo entre os serviços e a população. “Os agentes comunitários de Saúde constituem a porta de entrada do sistema de saúde e, portanto, necessitam estar fortalecidos para o adequado funcionamento da rede”, ressalta Pedro.

Para ele, os resultados alcançados pelos dois projetos demonstram a importância da pesquisa científica comprometida com as necessidades sociais do município. Ao promover a aproximação entre universidade, serviços públicos e comunidades, as iniciativas reforçam o potencial da ciência como ferramenta de transformação social, produção de conhecimento e fortalecimento das políticas públicas em Campos dos Goytacazes.

Além dos impactos diretos nos territórios onde atuam, os projetos evidenciam a relevância do Mais Ciência para a formação de novos pesquisadores e para a produção de conhecimento voltado às demandas locais. Segundo Pedro, o incentivo oferecido pelo programa tem sido fundamental para transformar ideias em ações concretas. “O Mais Ciência possibilita que estudantes vivenciem a pesquisa de forma comprometida com a realidade do município, ao mesmo tempo em que fortalece iniciativas capazes de produzir conhecimento, qualificar serviços e contribuir para a construção de políticas públicas mais próximas das necessidades da população”, afirma o coordenador. 

 

Por Jorge Rocha / Fotos: Divulgação

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