II Simpósio Vozes e Saberes da Educação amplia debates sobre direitos, inclusão e gestão pedagógica

A programação do primeiro dia do II Simpósio “Vozes e Saberes da Educação: a escola como espaço de direitos” teve continuidade na tarde de segunda (27), com palestras voltadas à educação inclusiva, ao currículo antirracista e ao uso de dados para fortalecer a aprendizagem. Promovido pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), por meio da Escola de Formação de Educadores Municipais (EFEM), o evento acontece de forma totalmente online, pela plataforma Congresse.me, e reúne especialistas de diferentes áreas para aproximar a produção acadêmica da prática cotidiana das escolas, contribuindo para uma educação pautada na garantia de direitos, na diversidade e na equidade.

Abrindo a programação da tarde, a professora Marielle Troyano, da Universidade Federal Fluminense (UFF), ministrou a palestra “Vozes Silenciadas: gênero, sexualidade e diversidade como pautas de Direitos Humanos na escola”. A pesquisadora discutiu o papel da escola na promoção dos Direitos Humanos e na construção de espaços educativos seguros e acolhedores para todos os estudantes. Durante a apresentação, destacou que as questões relacionadas a gênero, sexualidade e diversidade precisam ser compreendidas como parte da formação cidadã, reforçando a responsabilidade da comunidade escolar no enfrentamento da discriminação, da LGBTfobia e de outras formas de violência. Também defendeu que o respeito às diferenças deve orientar as práticas pedagógicas e fortalecer uma educação comprometida com a inclusão.

Na sequência, Iago Pereira dos Santos conduziu a palestra “Currículo antirracista na prática: construindo uma educação conectada com a história e cultura afro-brasileira e indígena”. O palestrante abordou a importância da implementação das Leis nº 10.639, de 2003, e nº 11.645, de 2008, no cotidiano escolar, ressaltando que a valorização das histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas deve fazer parte do currículo de maneira permanente. Ao longo da palestra, Iago apresentou reflexões sobre práticas pedagógicas decoloniais, produção de materiais didáticos mais representativos e estratégias para enfrentar o racismo estrutural por meio da educação, promovendo uma escola mais democrática e plural.

O eixo dedicado à gestão pedagógica baseada em evidências foi iniciado com a palestra “Cultura de dados na Educação: como monitorar o aprendizado e a frequência para criar intervenções precoces”, ministrada por Nicole Stallivieri. A palestrante explicou que indicadores educacionais, avaliações diagnósticas e o acompanhamento sistemático da frequência escolar podem subsidiar decisões pedagógicas mais consistentes. Para Nicole, o planejamento fundamentado em evidências permite identificar dificuldades de aprendizagem com maior precisão, acompanhar a evolução dos estudantes e desenvolver intervenções pedagógicas mais eficazes, favorecendo a melhoria contínua dos resultados educacionais.

Encerrando a programação do dia, Vivian Ferreira apresentou a palestra “Dados que transformam: o monitoramento pedagógico na garantia do direito de aprender”.Vivian defendeu que a gestão por dados ultrapassa a interpretação de gráficos e indicadores estatísticos. Ela explicou que a análise qualificada das informações permite compreender melhor a realidade das unidades de ensino, identificar desafios e planejar intervenções pedagógicas capazes de reduzir desigualdades e assegurar o direito à aprendizagem de todos os estudantes.

A programação será concluída na terça (28), com as palestras “Caminhos possíveis para a recomposição das aprendizagens no contexto educacional contemporâneo”, ministrada por Rosane Reis, “Educação integral para além do tempo ampliado: formando sujeitos críticos, afetivos e sociais”, com Nicodemus Araújo, da Editora FTD, “Cidadania na rede: letramento midiático e o combate à desinformação na sala de aula” e “Inclusão digital prática: a tecnologia como ponte e não barreira para a aprendizagem”, ambas conduzidas por Daniela Carvalho, do Instituto Palavra Aberta, “Os múltiplos letramentos na escola contemporânea: da cartilha à leitura crítica da realidade”, com Patrícia Corsino, e “Cuidar de quem cuida: bem-estar e saúde mental dos profissionais da Educação”, apresentada por Érica Henrique Pinheiro, do Instituto Superior de Ensino do Censa (Isecensa).

Ao reunir especialistas de diferentes áreas do conhecimento, o simpósio reafirma a proposta da Seduct de fortalecer a formação continuada dos profissionais da rede municipal. Ao longo dos dois dias de programação, os participantes têm acesso a discussões que articulam fundamentos teóricos e estratégias aplicáveis ao cotidiano escolar, contribuindo para o desenvolvimento de práticas pedagógicas alinhadas aos princípios da inclusão, da equidade e da garantia de direitos.


Por Jorge Rocha / Fotos: Divulgação 

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