II Simpósio Vozes e Saberes da Educação inicia debates sobre formação continuada e práticas pedagógicas

O II Simpósio “Vozes e Saberes da Educação: a escola como espaço de direitos” teve início na segunda (27), reunindo profissionais da educação em uma programação dedicada à formação continuada, à inclusão, à diversidade, à equidade e ao fortalecimento do direito à aprendizagem. Promovido pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), por meio da Escola de Formação de Educadores Municipais (EFEM), o evento é realizado de forma totalmente online, pela plataforma Congresse.me, e prossegue até terça (28), das 8h às 19h. 

Ao dar as boas vindas aos participantes, o subsecretário de Ciência e Tecnologia, Henrique da Hora, lembrou a dimensão da rede municipal de ensino e os desafios de manter a qualidade da educação pública diante do grande número de profissionais envolvidos. Segundo ele, a formação continuada é uma ferramenta estratégica para fortalecer o trabalho desenvolvido nas escolas. “São mais de cinco mil profissionais envolvidos na educação municipal, o que amplia nossa responsabilidade em oferecer uma educação pública de qualidade. Eventos como este simpósio fortalecem a formação dos educadores e contribuem diretamente para o aprimoramento das práticas desenvolvidas nas unidades escolares”, destacou.

Na abertura, a secretária municipal de Educação, Ciência e Tecnologia, Tânia Alberto, destacou a importância da formação permanente para enfrentar os desafios presentes nas escolas e ampliar a qualidade do ensino. “É necessário nos envolvermos com a formação continuada, porque temos desafios no nosso processo de preparação para lidar com os estudantes e com a formação dos alunos. Esse suporte adicional nos prepara melhor para o avanço na qualidade da aprendizagem. Não existe outro caminho para a evolução que não seja pela educação”, afirmou. A secretária também reforçou que a rede tem promovido oportunidades permanentes de troca de experiências. “Estamos sempre realizando atividades de formação para professores, criando oportunidades de melhorias em nossa atuação. Quanto mais a educação acolher, melhores resultados poderemos apresentar”, completou.

A programação da manhã prosseguiu com a palestra “Dificuldades na aprendizagem: como lidar com o letramento na EJA”, conduzida por Cibele Mendanha, dentro do eixo de Alfabetização, Letramento e Educação de Jovens e Adultos. A palestrante discutiu o letramento como um processo que ultrapassa a aprendizagem da leitura e da escrita. Ela abordou a recomposição das aprendizagens, a valorização das experiências de vida dos estudantes e a identificação das dificuldades encontradas na modalidade. Cibele frisou ainda a importância de vincular o desenvolvimento de práticas pedagógicas contextualizadas às diferentes trajetórias escolares dos jovens e adultos.

Encerrando as atividades da manhã, Vanderson Araújo apresentou a palestra “Cuidar de quem cuida: bem-estar e saúde mental dos profissionais da educação”. A apresentação reuniu reflexões sobre o adoecimento emocional dos educadores, burnout, gestão do estresse, inteligência emocional e fortalecimento das relações interpessoais nas escolas. Segundo ele, esse cenário se torna ainda mais desafiador para os profissionais da educação, que conciliam a gestão de perfis diversos de estudantes, as exigências burocráticas e de adequação à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as correções de atividades e a mediação de conflitos interpessoais no ambiente escolar. Vanderson ressaltou que o educador tem a missão de formar e cuidar do desenvolvimento dos alunos, mas frequentemente atua sob um estado de sobrecarga cognitiva que dificulta a permanência no momento presente, reforçando a necessidade de políticas e estratégias voltadas à promoção da saúde mental. 

Para a tarde, a programação contará com outros temas ligados aos direitos educacionais e ao fortalecimento das práticas pedagógicas. Marielle Troyano, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentará a palestra “Vozes Silenciadas: gênero, sexualidade e diversidade como pautas de Direitos Humanos na escola”. Iago Pereira dos Santos conduzirá a palestra “Currículo antirracista na prática: construindo uma educação conectada com a História e Cultura Afro Brasileira e Indígena”. Nicole Stallivieri estará à frente de “Cultura de dados na educação: como monitorar o aprendizado e a frequência para criar intervenções precoces”. Vivian Ferreira encerrará o eixo de gestão pedagógica com “Dados que transformam: o monitoramento pedagógico na garantia do direito de aprender”.

Organizado em sete eixos temáticos, o II Simpósio Vozes e Saberes da Educaçã reúne debates sobre alfabetização e Educação de Jovens e Adultos, educação inclusiva, educação antirracista, educação digital inclusiva, letramento financeiro, saúde mental e gestão pedagógica baseada em dados. A proposta é aproximar pesquisas acadêmicas da realidade das escolas, oferecendo subsídios teóricos e metodológicos que contribuam para a qualificação das práticas pedagógicas e para a consolidação de uma educação pública cada vez mais inclusiva, equitativa e comprometida com a garantia de direitos.

 

Por Jorge Rocha / Fotos: Divulgação

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