Programa Sala 404 aborda bullying e responsabilidade com estudantes da rede municipal

Um apelido, uma brincadeira que deixa de ser engraçada ou o silêncio de quem presencia uma agressão podem mudar a forma como um estudante se sente na escola. É a partir dessas situações que o novo episódio do programa “Sala 404”, intitulado “Bullying”, promove uma conversa com alunos dos 8º e 9º anos da Escola Municipal Manoel Simões de Rezende sobre as diferentes formas de violência, seus impactos e os caminhos para enfrentá-las. O episódio está disponível no canal do PAE no YouTube e integra uma iniciativa do Estação Educação, vinculado à Diretoria de Programas e Projetos (DPP) da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct). O conteúdo também está disponível no portal do Estação Educação.

Durante a conversa, os estudantes foram convidados a refletir sobre uma questão que costuma gerar dúvidas no cotidiano escolar, que é a diferença entre uma brincadeira e uma situação de bullying. A percepção apresentada pelos próprios adolescentes foi de que uma brincadeira pressupõe a participação e o bem estar de quem está envolvido, enquanto o bullying provoca sofrimento e pode atingir a vítima de diferentes maneiras. O grupo também compartilhou experiências e discutiu como atitudes aparentemente simples podem produzir consequências emocionais.

Para Andrea Gomes, uma das professoras responsáveis pelo programa, abrir espaço para esse tipo de conversa é uma das características que diferenciam a proposta. “Acredito que um dos grandes diferenciais da Sala 404 é falar sobre aquilo que muitas vezes permanece em silêncio. Quando damos voz aos adolescentes e criamos um espaço em que eles se sentem ouvidos e respeitados, abrimos caminhos para o diálogo e também para a prevenção”, afirma. Segundo ela, assuntos delicados precisam fazer parte das discussões escolares.

Eugênia Petrucci, também responsável pelo programa, destaca que a proposta procura abordar questões sociais relevantes sem afastá-las da realidade dos jovens. “O Sala 404 busca debater temas sociais relevantes e sem tabus, conectando-se de forma autêntica à juventude”, afirma. Ela ressalta ainda que a roda de conversa proporcionou aos estudantes “um espaço legítimo de escuta”, no qual puderam expor vivências e sentimentos relacionados ao tema.

Causas e responsabilidades

No programa, um dos pontos mais importantes levantados pelos estudantes foi a responsabilidade de quem presencia uma agressão. Para eles, permanecer em silêncio diante de uma situação de desrespeito também contribui para que o problema continue. A discussão destacou a importância de procurar ajuda, proteger quem está sendo alvo da violência e não tratar como normal comportamentos que ferem ou constrangem outras pessoas.

As causas por trás das agressões também entraram na conversa. Os alunos relacionaram determinados comportamentos a conflitos e sofrimentos vivenciados por quem pratica o bullying, sem deixar de reconhecer que dificuldades pessoais não justificam a violência contra outras pessoas. O debate ampliou a compreensão do tema ao abordar agressões físicas, verbais e psicológicas e seus efeitos sobre a convivência e o ambiente de aprendizagem.

A escola também apresentou ações desenvolvidas para prevenir e enfrentar situações de bullying. A diretora adjunta Ana Carolina Guimarães relatou que o trabalho exige acompanhamento constante, com intervenções em sala de aula, palestras do Programa Saúde na Escola (PSE) e atividades conduzidas pelo animador cultural. Ela também ressaltou que o enfrentamento depende da participação conjunta da escola, das famílias e dos profissionais da unidade, fortalecendo uma rede de atenção aos estudantes.

Com o episódio, o “Sala 404” reforça a proposta do Estação Educação de criar espaços para que adolescentes possam falar sobre questões que atravessam sua rotina e participar da construção de respostas para esses desafios. O programa aborda temas do cotidiano juvenil por meio do diálogo e da escuta, enquanto o episódio sobre bullying destaca que respeito, empatia e participação da comunidade escolar são elementos importantes para uma convivência mais segura. 

Por Jorge Rocha / Fotos; Divulgação

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