Três projetos aprovados para o ciclo 2026/2027 do Programa Mais Ciência foram apresentados à Gerência de Diversidade e Inclusão da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), nesta segunda (15). As propostas abordam gênero, sexualidade e raça, cultura urbana, protagonismo juvenil, direitos humanos e desigualdades, estabelecendo diferentes pontos de contato com o trabalho da Gerência. As reuniões têm como objetivo aproximar as pesquisas das políticas e ações desenvolvidas pela rede municipal.
Os projetos selecionados são “A escola como território de cidadania: ações extensionistas sobre gênero, sexualidade e raça”, coordenado por Bárbara Breder Machado, da Universidade Federal Fluminense (UFF), “EducaFlow: As Batalhas de Rimas como Ferramenta Educativa em Campos dos Goytacazes/RJ”, encabeçado por Carla Aparecida da Silva Ribeiro, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), e “Jogo do Privilégio e da diferença: práticas lúdicas de promoção de Direitos Humanos em Campos dos Goytacazes”, sob responsabilidade dePedro Renan Santos de Oliveira, da UFF. A aproximação permite discutir como as pesquisas podem dialogar com demandas identificadas nas escolas e contribuir para as ações da Seduct.
A proposta coordenada por Bárbara Breder parte do espaço escolar como lugar de convivência e construção de cidadania, levando para esse ambiente ações que abordam diferentes experiências e formas de pertencimento. A iniciativa aproxima universidade e escola por meio de atividades extensionistas que estimulam a reflexão sobre diferenças e relações sociais. Já o EducaFlow utiliza as batalhas de rimas e a cultura hip-hop como recursos pedagógicos, trabalhando expressão, identidade, participação e protagonismo juvenil. O projeto já realizou oficinas em escolas municipais, aproximando a linguagem da cultura urbana do cotidiano dos estudantes.

O terceiro projeto utiliza recursos lúdicos para discutir direitos humanos, privilégios e desigualdades relacionadas a diferentes marcadores sociais. A proposta já possui aproximação com a rede municipal por meio da formação “Letramento em Direitos Humanos”, promovida pela Escola de Formação de Educadores Municipais (EFEM), que utiliza o “Jogo do Privilégio e da Diferença” como recurso para estimular reflexões sobre preconceito, exclusão e práticas inclusivas.
Para Leonora Tinoco, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Científica da Seduct e coordenadora do Mais Ciência, a apresentação dos projetos representa uma etapa de aproximação entre os pesquisadores e as áreas responsáveis pelas políticas públicas. “Essas reuniões de apresentação dos projetos do Mais Ciência são essenciais, porque é exatamente nesse momento que o professor tem o primeiro contato, no caso hoje, com o pessoal da Gerência de Diversidade e Inclusão. Assim, apresentam as propostas para que a coordenação entenda seus propósitos e até mesmo possam sugerir algum ajuste.” Segundo ela, esse diálogo contribui para que as pesquisas sejam inseridas no contexto da rede municipal e possam produzir resultados relacionados às necessidades das escolas.
O gerente de Diversidade e Inclusão da Seduct, Diego Henrique Nascimento, avaliou que os três projetos apresentam propostas consistentes e, embora tenham objetos diferentes, convergem com temas trabalhados pela Gerência. “São projetos de muita qualidade e que apresentam possibilidades diferentes de trabalhar a diversidade e a inclusão dentro da escola. São abordagens distintas, mas que se encontram quando pensamos em uma escola que reconheça as diferenças, enfrente as desigualdades e amplie a participação dos estudantes.”
Segundo Diego, a aproximação entre os pesquisadores e a Gerência pode contribuir para que os projetos dialoguem ainda mais com as demandas da rede. “O mais importante desse encontro é justamente identificar essas interseções e pensar como cada projeto pode contribuir com aquilo que já desenvolvemos na rede. A pesquisa ganha quando consegue dialogar com a realidade das escolas, e a política pública também ganha quando pode contar com conhecimento produzido a partir dessa realidade.”

Mais Ciência e PSE
A agenda de articulação do Mais Ciência com as áreas da Seduct também contemplou projetos relacionados à saúde. No dia 8, reuniram-se com o Programa Saúde na Escola (PSE) Fabíola Rodrigues Matos, da UFF, coordenadora de “Capital Psicológico e Autocompaixão como preditores de proteção à saúde mental: evidências em estudantes do ensino médio da rede pública de Campos dos Goytacazes”, Francimar Fernandes Gomes, da UENF, com “Correlação entre condições higiênico-sanitárias e contaminação microbiológica em serviços de alimentação da rede municipal de ensino de Campos dos Goytacazes, RJ”, Crisóstomo Lima do Nascimento, da UFF, com “Identificação de dificuldades cognitivas na Educação Infantil: orientação de professores para compreensão do diagnóstico neuropsicológico e articulação escola-saúde”, e com “Vozes que não falam, corpos que dizem: Saúde mental de famílias com crianças de transtorno do espectro autista não verbal e orientação em primeiros socorros na atenção primária”.
No dia 11, participaram Thais Pacheco Soares, da FMC, com “A invisibilização do adoecimento docente: Rastreio clínico e análise epidemiológica das doenças crônicas em professores”, Lais Verdan Dib, da FMC, com “Saúde cardiovascular em comunidade escolar de Campos dos Goytacazes/RJ diagnóstico, fatores de risco e prevenção”, Ilma Alessandra de Lima Cabral, da UNIFLU, com “Promoção da Saúde Auditiva no Contexto Escolar: intervenções fonoaudiológicas com escolares da rede municipal de Campos dos Goytacazes/RJ”, e Anderson Pontes Morales, do ISECENSA, com “Associação entre os tipos de deslocamentos para a escola, indicadores de saúde e funcionais em escolares do município de Campos dos Goytacazes-RJ”.
Por Jorge Rocha / Fotos: Carlos Grevi/Divulgação