A Gerência de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), ligada ao Departamento Pedagógico, lançou o Projeto Nosso Patrimônio Tem Valor, como mais uma frente de trabalho na área da Educação Fiscal, que é um dos oitos eixos do programa na Ponta do Lápis, pactuado com o Ministério da Educação (MEC). A iniciativa acontece por meio do Projeto de Vida e Projeto Integrador e tem o propósito de ressignificar a relação da comunidade escolar com a preservação do bem público.
O projeto foi concebido a partir da necessidade de fortalecer a Educação Fiscal na rede municipal, aproximando os estudantes da realidade do patrimônio público local e promovendo uma cultura de valorização, preservação e corresponsabilidade social.

A proposta está alinhada às diretrizes do Prêmio Nacional de Educação Fiscal ao trabalhar a função social dos tributos, o controle social, a cidadania, a preservação do patrimônio público e o combate ao vandalismo. Para dialogar com o universo do Ensino Fundamental, o projeto vai trabalhar com metodologias ativas, gamificação, contação de histórias, jogos digitais e analógicos, mapas digitais, dentre outros.
De acordo com a gerente do Ensino Fundamental, Jossana Bartolazzi, ao unir Educação Fiscal, Educação Patrimonial e Preservação, o projeto conecta a contabilidade cidadã (o custo financeiro) à memória afetiva (o valor histórico e cultural).

“Dessa forma, o patrimônio deixa de ser visto como “do governo” e passa a ser compreendido como “nosso”. Muitas vezes, o vandalismo e a falta de cuidado com o espaço escolar decorrem do desconhecimento sobre a origem dos recursos públicos e da ausência de um sentimento de pertença. A escola pública é o primeiro espaço de vivência social fora do núcleo familiar. É nela que a criança aprende o significado de coletividade”, declarou Jossana.
Culminância

O programa Na Ponta do Lápis visa fortalecer o letramento e a cidadania econômica nas escolas da educação básica, promovendo competências fundamentais para o planejamento de vida e o exercício consciente da cidadania. No município, ele está estruturado em duas grandes frentes de atuação com as unidades escolares e corpo docente: Educação Financeira e Educação Fiscal.
É na dimensão da Educação Fiscal que entra o “Nosso Patrimônio Tem Valor”, cujas ações acontecerão ao longo de todo o segundo semestre de 2026. O ápice desse trabalho pedagógico culminará na mobilização da rede municipal durante a Semana Municipal do Patrimônio, de 16 a 19 de novembro, com o intuito de celebrar, expor e refletir sobre as ações de preservação do bem público, história local e consciência fiscal trabalhadas nas escolas do município.

Já a Educação Financeira é inserida por meio dos componentes de Projeto de Vida e Projeto Integrador, e permite que os estudantes compreendam o uso consciente dos recursos, desenvolvam autonomia, planejamento socioemocional e vislumbrem caminhos para o seu futuro pessoal e profissional, como explicou a supervisora de Projeto de Vida e Projeto Integrador, Julia Fonseca.
“E como marco dessa caminhada da Educação Financeira, vamos realizar a Semana Municipal do Empreendedorismo de 3 a 6 de novembro deste ano, com o objetivo de apresentar a criação de projetos práticos, soluções criativas e modelos de negócios sustentáveis desenvolvidos pelos estudantes nas unidades escolares”, explicou Julia.

Diretrizes Metodológicas
O projeto Nosso Patrimônio tem Valor pretende favorecer o brincar, o aprender e o cuidar, promovendo a ludicidade na construção da Cidadania. Cada unidade escolar contará com um “Articulador Cidadão”, profissional responsável por dinamizar as ações pedagógicas e coordenar a aplicação das atividades lúdicas diretamente nas turmas.
O cronograma teve início em agosto, com a formação de gestores e professores; apresentação do projeto às escolas e organização das equipes escolares. Neste mês de setembro, estão acontecendo as etapas da pesquisa e visitação dos patrimônios históricos do município e escolha do patrimônio público a ser adotado pela unidade escolar.
“Em outubro acontecerão as entrevistas, visitas, pesquisas e produção de materiais; estudo sobre a história da unidade escolar ou instituição ao redor; levantamento de custeio, serviços e proteção ao patrimônio público; e produção dos materiais educativos. E em novembro será a vez das campanhas de preservação, produção do Inventário Cidadão e a Culminância na Semana Municipal do Patrimônio”, explicou Jossana.
Acervo Digital
Ela acrescentou que, como produto final da rede, será elaborado o Inventário Cidadão do Patrimônio Público de Campos dos Goytacazes, um grande acervo digital colaborativo, construído a partir das investigações, registros e produções desenvolvidas pelas unidades escolares ao longo do projeto.
O documento reunirá informações relevantes sobre a história das escolas da rede municipal, os patrimônios públicos pesquisados, dados relacionados à aplicação de recursos públicos, registros fotográficos, entrevistas com membros da comunidade e indicadores produzidos pelos estudantes durante as atividades.

“Mais do que um compilado de informações, o inventário se configurará como um instrumento de memória, pesquisa e conscientização social, fortalecendo a valorização do patrimônio público, a transparência, o controle social e o exercício da cidadania em Campos dos Goytacazes. Cada escola selecionada receberá o Selo Escola Guardiã do Patrimônio Público, destinado a reconhecer e valorizar as unidades escolares que se destacarem no alcance das metas de participação, preservação dos bens públicos e desenvolvimento de produções pedagógicas significativas ao longo da execução das atividades”, adiantou Jossana.
Por Kamilla Uhl – Fotos: Seduct / Divulgação