Mostra Pedagógica da Educação Inclusiva apresenta recursos de aprendizagem e trabalhos de estudantes

A produção de recursos de acessibilidade, as estratégias de ensino desenvolvidas nas Salas de Recursos e as experiências de aprendizagem de estudantes público-alvo da Educação Especial foram apresentadas nesta sexta (6), durante a Mostra Pedagógica da Educação Especial, realizada pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), no Palácio da Cultura. O encontro reuniu representantes de 45 unidades escolares inscritas, com exposição de materiais pedagógicos, ferramentas de comunicação, produções artísticas e apresentações dos estudantes.

Os trabalhos foram elaborados por profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE), que desenvolvem atividades complementares ao ensino regular, considerando as necessidades e as possibilidades de aprendizagem de cada estudante. Entre os recursos apresentados estavam jogos confeccionados com materiais recicláveis, ferramentas tecnológicas e pranchas de comunicação, utilizados para estimular habilidades cognitivas, sensoriais, motoras e de interação social. A programação também contou com apresentações artísticas e musicais dos alunos.

A subsecretária de Ensino, Célia Maria Ferreira, ressaltou que a Educação Especial depende do envolvimento de toda a comunidade escolar e da integração entre o Atendimento Educacional Especializado e o ensino regular. “O trabalho desenvolvido nas Salas de Recursos precisa estar articulado ao cotidiano das unidades escolares, em diálogo com os professores e respeitando as necessidades e as características de cada estudante. É fundamental criar condições para que todos participem das atividades e avancem na aprendizagem”, afirmou. Célia também destacou que a mostra favorece a troca de experiências entre os profissionais e amplia o conhecimento sobre estratégias pedagógicas que contribuem para uma rede de ensino mais inclusiva. 

A gerente de Educação Especial da Seduct, Danielle Muguet, reafirmou a importância de dar visibilidade às experiências desenvolvidas pelos profissionais nas unidades escolares. Segundo ela, a exposição permite conhecer diferentes caminhos para favorecer a aprendizagem e a participação dos estudantes. “Mais do que expor atividades, queremos dar visibilidade ao compromisso dos profissionais e mostrar que a educação inclusiva se constrói diariamente, com planejamento, intencionalidade pedagógica e trabalho coletivo”, afirmou.

Entre as experiências compartilhadas estava a da professora Ana Quitéria Vasconcelos, da Sala de Recursos da Escola Municipal Manoel Coelho. Ela apresentou materiais utilizados no atendimento individual ou em grupo, selecionados conforme as necessidades de cada aluno. “Utilizo diversos recursos pedagógicos, como jogos confeccionados com material reciclável, jogos tecnológicos e prancha de comunicação. O trabalho acontece de forma individual ou em grupo, dependendo do nível de suporte de cada aluno”, explicou. A professora também ressaltou a articulação com os docentes das turmas regulares e o uso dos recursos para estimular a fala, a coordenação, a socialização e a adaptação ao ambiente escolar.

A programação incluiu a palestra “Alfalibras: Práticas Pedagógicas Para os Alunos Surdos”, ministrada por Mônica Lopes. A formação abordou o ensino da leitura e da escrita para estudantes surdos, com destaque para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a utilização de estratégias acessíveis no processo de alfabetização. Os participantes também tiveram contato com materiais pedagógicos e atividades práticas que podem ser incorporados ao cotidiano escolar para favorecer a comunicação e a aprendizagem.

Outro tema discutido foi o capacitismo no ambiente educacional, durante a palestra “(Anti)capacitismo no Chão da Escola: relatos, conceitos e experiências”, conduzida por Rafaela Batista Carvalho. A atividade promoveu reflexões sobre atitudes e barreiras que dificultam a participação de pessoas com deficiência, além de abordar experiências e possibilidades de construção de práticas educativas baseadas no respeito às diferenças e na equidade.

As apresentações dos estudantes também integraram a programação cultural. Alunos da Escola Municipal Alcindor de Moraes Bessa participaram de apresentações musicais, enquanto estudantes da Escola Municipal Wilson Batista compartilharam conhecimentos sobre o sistema solar e realizaram uma apresentação de teclado. Já Lucas do Rosário Nascimento Pereira, da Escola Municipal Tarcílio Siqueira Cordeiro, apresentou uma performance de dança e dublagem inspirada em Michael Jackson. A mostra foi aberta à visitação de outras unidades escolares e da comunidade, ampliando o compartilhamento das experiências produzidas na rede municipal.

Por Jorge Rocha / Fotos: Carlos Grevi

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