Moradores dos assentamentos Zumbi dos Palmares e de outras comunidades da região de Brejo Grande, distrito de Travessão, tiveram acesso a serviços de saúde e apoio à documentação nessa segunda-feira (14). A ação foi realizada pelo Programa de Assistência aos Assentados, Quilombolas e Comunidades Tradicionais (PAAQ), da Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com as UBSFs Aeroporto e Campelo e com o Pro-Semeia, na Escola Municipal Carlos Chagas, na Estrada Brejo Grande, bairro Jacarandá.
Foram oferecidos vacinação, consulta médica, preventivo, testes rápidos, aferição de pressão arterial e glicemia, dispensação de medicamentos e preenchimento e atualização do acompanhamento do Bolsa Família, incluindo os dados de peso e altura. A população também contou com atendimento do Pro-Semeia para atualização de documentos dos assentados.
A ação busca facilitar o acesso aos serviços para moradores de territórios mais afastados das unidades de saúde. Para Lígia Aparecida, de 52 anos, moradora do Assentamento Zumbi dos Palmares II, ter os atendimentos perto de casa faz diferença, principalmente para quem depende de transporte para chegar às unidades.
“É muito importante ter essas ações aqui, porque às vezes é difícil conseguir médico já que Campelo fica longe para a gente. Quando o atendimento vem para a comunidade, fica muito mais fácil. Aqui temos pessoas com diabetes e pressão alta, então ter um médico atendendo facilita muito. A vacinação das crianças também é muito importante”, contou.
Segundo a coordenadora do PAAQ, Esthefany Francisco, a ação dá continuidade ao acompanhamento iniciado no mês passado e já prevê novos atendimentos no território.
“Estivemos aqui no mês passado e já temos programação para o próximo mês. A ideia é garantir a continuidade do acompanhamento, com a mesma equipe, criando familiaridade com os pacientes e dando sequência aos atendimentos e exames”, explicou.

A médica da UBSF Aeroporto, Mônica Fernandes, destacou que a presença da Estratégia de Saúde da Família em locais de difícil acesso contribui para ampliar a equidade no atendimento.
“Estar com a Estratégia de Saúde da Família nesse território é muito importante, porque estamos levando mais equidade em saúde para uma população que vive em uma localização de difícil acesso. É uma alegria estar aqui mais uma vez acompanhando esses pacientes, e esperamos continuar esse trabalho”, afirmou.
Para Nilcelene da Silva Peixoto, de 47 anos, a chegada dos serviços à comunidade ajuda moradores que enfrentam dificuldades para se deslocar. Ela foi atendida pelo médica, enquanto a filha, Isadora da Silva Cordeiro, de 5 anos, recebeu a vacina contra a gripe.
“Quando o atendimento público vem para a comunidade, ajuda muita gente. Espero que aconteça mais vezes, porque beneficia todo mundo”, disse.
Alexsandra Virgínia, moradora do Zumbi dos Palmares II, também ressaltou a importância de levar os serviços para perto das famílias.
“Meu esposo teve um AVC e faz hemodiálise, então temos dificuldade para deslocá-lo daqui até a cidade. Trazer os serviços para as escolas foi muito bom. Espero que continue, porque beneficiou não só a nossa família, mas toda a comunidade e os assentamentos”, afirmou.

Apoio à documentação dos assentados
Além da saúde, a ação contou com o Pro-Semeia, programa que oferece assistência técnica e apoio aos moradores de assentamentos da reforma agrária. A equipe auxilia na identificação das demandas das famílias e na regularização de documentos importantes para o acesso a políticas públicas. A ação também contou com a presença da Casa do Agricultor, da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Infraestrutura Rural (Semapi), em apoio ao Pro-SEMEIA na emissão dos documentos.
Durante o atendimento, os moradores puderam receber orientações e atualizar documentos como o Contrato de Concessão de Uso (CCU), que comprova a condição do assentado, além do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), documento que identifica agricultores familiares e pode facilitar o acesso a programas e políticas públicas.
“O nosso trabalho começa identificando as demandas da comunidade. A partir disso, ajudamos na emissão e atualização de documentos, como o CCU, fazendo a ponte com o Incra, e também orientamos sobre o CAF. Esse cadastro é importante porque identifica o agricultor familiar e pode facilitar o acesso a outras políticas públicas”, explicou Gabriela Martins, engenheira da Universidade Federal Fluminense (UFF) Campos e integrante do Pro-Semeia.

A participação do programa amplia a proposta da ação ao reunir, no mesmo espaço, serviços de saúde e orientações que ajudam os moradores a acessar outros direitos e políticas públicas. Para Esthefany, essa integração fortalece o atendimento no território.
“Além da saúde, trazer o Pro-Semeia permite atender uma demanda importante dos assentados, que é a documentação. A ideia é unir as políticas públicas e facilitar o acesso dessas famílias aos serviços e direitos que precisam”, destacou.
Por Igor Azeredo / Fotos: Igor Azeredo – Divulgação