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EDUCAÇÃO ILUMINA VIDAS

Visita de ministro do Desenvolvimento Agrário a assentamento trata de conquistas e educação

Com a visita do Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, na sexta-feira (1º de agosto), o assentamento Cícero Guedes, em Cambaíba, converteu-se em palco de um encontro entre políticas agrárias, valorização da agricultura familiar e educação do campo. Recebido na Escola Municipal Luiz Guaraná — que atende cerca de 10 crianças residentes no assentamento —, o ministro reuniu-se com representantes dos assentados e coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), acompanhado por uma comitiva que contava com o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), César Rodrigues, entre outras autoridades. 

A diretora regional de Educação da Secretaria de Ensino, Ciências e Tecnologia (Seduct), Rita Abreu, também esteve presente ao evento, reforçando o compromisso da pasta com a educação no campo. “Nosso objetivo é garantir o direito à educação para as famílias assentadas, respeitando tanto sua natureza quanto cultura própria, fortalecendo essa formação por meio de metodologias ativas”, disse Rita.

A visita de Paulo Teixeira serviu para que ele conhecesse pessoalmente o assentamento, que ainda aguarda a regularização e divisão em lotes para as famílias. “Vim também ouvir as necessidades e demandas do Cícero Guedes, incluindo o que diz respeito à educação, para entender o que mais podemos fazer para atender os assentados”, declara. 

Antes de apresentar os próximos passos da regularização do assentamento para as famílias de trabalhadores rurais, o ministro e sua comitiva percorreram as plantações e instalações rurais. O grupo foi até mesmo conhecer os antigos fornos da Usina Cambahyba, onde, durante a ditadura militar, foram incinerados ao menos 12 corpos de opositores políticos, conforme revelou a Comissão Nacional da Verdade em 2014. “Esse sempre foi um local de muitas histórias e de muita luta. Agora queremos que seja um local de produção, de realização. E a educação tem um papel importante nisso”, disse Paulo Teixeira, momentos antes de seu discurso para os assentados.  

César Rodrigues também aproveitou o momento para ressaltar os avanços recentes no processo de formação do assentamento: “É bom perceber que há um interesse concreto em discutir a regularização do Cícero Guedes e também a situação de outros acampamentos na região. Estamos empenhados em transformar essa realidade, com apoio de grandes parceiros, como as universidade e o poder público”, afirmou o presidente do Incra, destacando reuniões já realizadas com o BNDES e a Fiocruz para promover o desenvolvimento socioambiental nas áreas assentadas. 

Também acompanharam a visita de Paulo Teixeira ao assentamento a deputada Marina Almeida, do MST – que apontou que essa foi a primeira vez que o ministro esteve no assentamento -, lideranças do movimento, além de representantes da comunidade acadêmica como Rosane Ferreira, reitora da UENF, e Cláudio Souza, diretor da UFF Campos.

Empolgado com a visita do ministro, o articulador pedagógico das Políticas de Educação do Campo na Seduct, Marcelo Cavalcante, contextualizou a importância de práticas educativas específicas. Ele explicou que um currículo integrado à agroecologia e à cultura local constitui a essência da formação camponesa. Marcelo destacou ainda a necessidade de formação docente específica para o contexto rural, de um calendário escolar ajustado aos ciclos agrícolas e de uma participação efetiva da comunidade na gestão escolar.

“A educação no campo rompe as fronteiras, rompe o modelo de educação rural. Torna-se uma educação que tem sentido com as questões das famílias rurais, A educação no campo se envolve com um projeto democrático de acesso, de permitir que jovens assentados possam chegar à universidade. É simplesmente uma educação emancipadora”, explica Cavalcante

Regularização 

Atualmente, o assentamento Cícero Guedes está em fase de edital para seleção de 185 famílias de trabalhadores rurais, que serão assentadas pelo Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). Formalizado pelo Incra em 2023, o território homenageia o líder sem terra assassinado em 2013.

O assentamento, criado em meio a disputas judiciais, remonta à desapropriação da área em 1998, pelo Governo Federal, após decisão da Justiça Federal. Décadas depois, centenas de famílias organizadas pelo MST conquistaram, em 24 de junho de 2021, o direito de viver e produzir no local.

Uma ocupação anterior, batizada de acampamento Luís Maranhão, havia sido estruturada em 2012 e permaneceu até meados de 2019, consolidando a resistência que hoje culmina na regularização. O Cícero Guedes, marcado por violências passadas, ganha agora um novo significado como território de produção de alimentos saudáveis e de justiça social.

 

Por Jorge Rocha – Fotos: Alicio Gomes

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