Uma conversa sobre Educação Quilombola nas escolas que começa pela memória e avança pela ação reuniu educadores e gestores no auditório da Secretaria Municipal de Educação de Cabo Frio (SEME), no último dia 5. A Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) marcou presença no encontro intitulado “Roda de Conversa Caminhos para a Construção de uma Rede Intermunicipal de Educação Escolar Quilombola”, promovido pela coordenação do PNEERQ RJ em parceria com a Faculdade de Educação da UFRJ. O encontro serviu para articular municípios, universidades e lideranças comunitárias em torno de políticas públicas que valorizem saberes quilombolas.
A atividade reuniu representantes do norte fluminense e da Região dos Lagos para discutir as etapas práticas de implementação das diretrizes curriculares e de formação continuada. Os debates foram organizados em quatro eixos que nortearam a construção coletiva de propostas curriculares e formativas. No eixo currículo foi reforçada a necessidade de territorializar conteúdos e articular a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) com saberes locais.
Na formação continuada foram trocadas experiências sobre materiais, percursos formativos e recursos já utilizados pelos municípios. A relação com as comunidades trouxe vozes sobre pertencimento e memória e a organização institucional abordou caminhos para garantir visibilidade e continuidade às ações. A troca de experiências permitiu mapear avanços e lacunas entre as redes presentes, ampliando a compreensão sobre o que funciona em contextos distintos.
A delegação de Campos dos Goytacazes contou com a participação da diretora pedagógica Viviane Terra e do gerente de Diversidade e Inclusão Diego Henrique Nascimento, que apresentou iniciativas locais e o alinhamento curricular já em curso. Também foi destacado o avanço em políticas de acesso com a reserva de vagas e medidas administrativas para reconhecer e nomear escolas de relevância quilombola.
Para Viviane Terra a presença da equipe pedagógica foi essencial para fortalecer a rede intermunicipal. “Para nós, foi muito importante estar nesse encontro. A participação da equipe pedagógica nos permitiu escutar os municípios vizinhos e compreender em que etapa cada um está no desenvolvimento e na aplicação das políticas públicas voltadas para a educação quilombola. Essa troca amplia nossa visão, fortalece o trabalho em rede e nos ajuda a construir práticas pedagógicas comprometidas com a diversidade”, disse a diretora pedagógica da Seduct. Viviane também ressaltou que as escolas são territórios vivos de memória e pertencimento e que o reconhecimento desses espaços é condição para políticas públicas efetivas.
O encerramento reforçou um compromisso coletivo por uma educação antirracista ancorada na memória, na ancestralidade e na autonomia das comunidades quilombolas. Participantes destacaram que integrar universidades, secretarias e lideranças locais é estratégico para garantir formação continuada e práticas pedagógicas contextualizadas. A experiência em Cabo Frio deixa como saldo a convicção de que o avanço depende da escuta permanente e do compartilhamento de ferramentas e que o PNEERQ RJ pode funcionar como um espaço articulador para transformar diretrizes em ações cotidianas.
Por Jorge Rocha / Foto: Seduct/Divulgação