Quando a escola dialoga com a vida real, aprender deixa de ser apenas uma etapa formal e passa a ser um projeto de futuro. É com essa perspectiva que a Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) se prepara para ampliar, em 2026, as ações voltadas à Educação de Jovens e Adultos (EJA), combinando escolarização, qualificação profissional e permanência dos estudantes. O planejamento foi desenvolvido a partir de um balanço das iniciativas realizadas ao longo de 2025, que indicam avanços na inclusão educacional e no fortalecimento de trajetórias sociais e profissionais.
As ações previstas para 2026 têm como eixo central a ampliação do acesso e a melhoria da qualidade da oferta da EJA, de acordo com a coordenadora da EJA, Simone Rodrigues Barreto. As medidas incluem reorganização curricular, diversificação de horários e integração entre educação básica e formação profissional, com foco em jovens em distorção de idade, trabalhadores adultos e idosos matriculados na rede municipal de ensino.
Também estão previstas a ampliação das parcerias já existentes e a formalização de novos acordos com instituições de formação profissional. A Seduct avança ainda nas articulações com o SENAI para reservar vagas em cursos de formação inicial e continuada destinadas aos alunos da EJA, garantindo acesso simplificado e alinhado às oportunidades de emprego na região.

Em 2025, a Seduct concentrou esforços na qualificação profissional como estratégia de fortalecimento da EJA. Parcerias institucionais possibilitaram o crescimento expressivo do número de estudantes inscritos em cursos formativos, ofertados em áreas alinhadas às demandas do mercado local, como cuidados com idosos, manutenção de equipamentos de informática, ajustador mecânico e empreendedorismo. A iniciativa contribuiu para ampliar o interesse dos estudantes e reduzir a evasão escolar.
Segundo Simone Barreto, “as ações de 2025 foram voltadas para a qualificação profissional e representam um avanço muito significativo na consolidação da EJA como política pública de inclusão, permanência e desenvolvimento social”. Ela destaca que a proposta atual rompe com o modelo restrito à certificação e passa a reconhecer os saberes prévios e as necessidades concretas dos estudantes.
Outro avanço estrutural foi a elaboração de uma nova matriz curricular e de diretrizes específicas para a EJA municipal, desenvolvidas ao longo de 2025 e atualmente em fase de apreciação pelo Conselho Municipal de Educação. O documento reorganiza a oferta a partir das realidades urbana, quilombola e do campo, integrando a formação geral com conteúdos voltados ao mundo do trabalho e às demandas socioeconômicas locais.

O diagnóstico realizado pela coordenação da EJA apontou desafios importantes, como a diversidade do público atendido e os fatores que impactam a permanência na escola. Entre eles estão o desemprego, a informalidade, o cansaço após a jornada de trabalho, a distância entre residência e unidade escolar e a insegurança em territórios periféricos. Também foi identificado o crescimento do número de jovens com mais de dois anos de distorção de idade série que buscam a EJA.
Diante desse cenário, o plano de ação para 2026 prevê a implantação gradual da EJA diurna em unidades da rede municipal, voltada especialmente a jovens de 15 a 17 anos que não conseguem se manter no ensino regular. A proposta inclui flexibilização de tempos e currículos, integração com cursos de qualificação profissional e ações de proteção social, com o objetivo de reduzir a evasão e ampliar as oportunidades educacionais e profissionais para diferentes perfis de estudantes.
Por Jorge Rocha / Fotos: Divulgação