A secretária municipal de Educação, Ciência e Tecnologia, Tânia Alberto, participou do lançamento do Projeto Campo-Cidade, nesta segunda-feira (16), no Assentamento Zumbi dos Palmares – Núcleo 4, Campelo. Organizado pela Escola Estadual de Formação e Capacitação à Reforma Agrária (ESESF) e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o projeto acontece em parceria com a Petrobras, com objetivo de fortalecer a Agroecologia, Direitos Humanos e Geração de Renda na região Norte Fluminense do Rio de Janeiro.
O articulador pedagógico das políticas da Educação do Campo na Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), Marcelo Vianna, também marcou presença no evento, que contou com uma feira e mostra de alimentos da reforma agrária. O projeto visa fortalecer os agricultores familiares, a reforma agrária, e a agricultura local.
Tânia destacou que as escolas do campo merecem ser respeitadas com a identidade das escolas do campo. “Quando em 2015 construímos a primeira matriz curricular para a educação do campo, com os próprios atores do campo construindo essa identidade, a gente entendeu que nós não fazemos nada ‘para’, fazemos ‘com’. É por isso que a Secretaria de Educação está à disposição tanto dos representantes do Legislativo quanto dos nossos parceiros do Judiciário e de todos os outros atores que possam contribuir”, afirmou.
Ela colocou a Seduct à disposição para a formação dos agricultores e seus familiares. “Nossas escolas e espaços estão abertos para abrigar os meninos e meninas, mas também para ouvir e estar presente com seus pais e responsáveis para ajustar o que for necessário para atender a demanda, bem como na estruturação da agricultura familiar, que tem tudo a ver com esse movimento, para que a alimentação escolar esteja cada vez mais presente com a participação dos assentados e dos pequenos agricultores. Também colocamos à disposição nossos espaços de formação continuada para aqueles adultos que não conseguiram concluir no tempo certo seus estudos. Sabemos que o campo paga um preço muito alto por conta do seu modo de existir”, declarou a secretária.
Para Marcelo Vianna, o projeto rompe com a ideia de que o campo é uma coisa do atraso, do fracasso, dependente da cidade, e da cidade que não depende do campo. “O campo nesse projeto vai ganhando força na relação, não só de produção de alimento, mas mostrando para a cidade a importância na manutenção das nascentes, a importância da sustentabilidade, a importância de pensar a relação de produção, beneficiamento dos produtos que os assentados desenvolvem em seus lotes, para agricultura familiar, etc. Mas, para além disso, para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o Programa de Aquisição de Alimentos, enfim, aproximando cada vez mais a relação campo-cidade.

Segundo ele, essa medida vai refletir diretamente na política pública da educação do campo, na escola integrada à realidade, no seu contexto, e também integrada à dimensão da cidade”, completou.
Marcelo também citou a parceria com a escola para a implantação do sistema agroflorestal que vai envolver o manejo, mas também práticas pedagógicas voltadas para a sustentabilidade da escola em parceria do projeto Campo Cidade. “Esse projeto envolve a área nova do INCRA doada à Prefeitura e, também, a expansão de outras áreas possíveis de aprendizagem para as crianças que vivem no assentamento, que vivem da terra e que pensam seus projetos de sustentabilidade”, destacou.
O coordenador nacional do MST, José Carlos da Silva, explicou que o projeto vai se relacionar com a Secretaria de Educação por dois eixos. O primeiro será por meio do acesso ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Ele explicou que o projeto vai atuar com os assentados da reforma agrária para fornecer alimentos para a merenda das escolas e creches do município.

“E outro é o eixo pedagógico. Nós vamos desenvolver atividades pedagógicas nas escolas junto com professores, sobre o sistema agroflorestal, de proteção do meio ambiente, associado com a proteção da comida, que futuramente pode ser servida para a própria merenda da escola. Faremos esse contato com os alunos mais de perto, com os filhos de assentados e também filhos das comunidades em torno, da agricultura familiar”, detalhou José Carlos.
Também estavam presentes: a superintendente Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) no Rio de Janeiro, Maria Lúcia de Pontes; a deputada estadual Marina dos Santos (Marina do MST); coordenador estadual do MST, Mateus dos Santos; Adriana Lima, representando o reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), Victor Barbosa Saraiva; diretor do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra; defensora pública estadual do 1º Núcleo Regional de Tutela Coletiva de Campos dos Goytacazes, Carolina Henni; diretora geral do IFF Campus Macaé, Aurea Yuki Sugai; diretor da UFF Campos, Cláudio Henrique Reis; representante do Emater-RJ, Luciano Carniello; superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no Rio de Janeiro, Victor Tinoco; a coordenadora regional do MST no Norte Fluminense, Ana Paula Saraiva; gerente do Banco do Brasil Campos dos Goytacazes, Gilvan; entre outros.
Por Kamilla Uhl