Formação da EFEM reúne educadores para debater métodos de ensino nas escolas do campo 

A Escola de Formação de Educadores Municipais (EFEM), da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), realizou no dia 28 de maio o segundo encontro da Formação Continuada em Serviço das Escolas do Campo, das Águas e das Florestas. Com o tema “Plano de Estudos,: planejamento e método de ensino nas escolas do campo”, a atividade reuniu profissionais da rede municipal no auditório da Universidade Federal Fluminense (UFF) Campos, em dois turnos, das 8h às 12h e das 13h às 17h.

Voltado especialmente para educadores que atuam em turmas multisseriadas, o encontro teve como objetivo aprofundar o debate sobre planejamento pedagógico, metodologias contextualizadas e organização do trabalho docente. A formação foi conduzida pela supervisora de Educação em Tempo Integral, Ana Márcia Scot, e pelo assessor especial de Educação do Campo, Marcelo Cavalcanti Vianna, ambos da Seduct, em uma proposta que aproximou teoria, prática e realidade das comunidades atendidas.

Marcelo destacou que a formação continuada tem papel decisivo na qualificação do trabalho pedagógico nas escolas do campo. “Do ponto de vista pedagógico, a formação continuada fortalece a prática docente ao possibilitar que educadores e educadoras compreendam as especificidades dos sujeitos do campo, das águas e das florestas”, afirmou. Segundo ele, esse processo contribui para a construção de currículos mais próximos da realidade dos estudantes e para a valorização dos saberes produzidos nas comunidades rurais, pesqueiras, quilombolas, ribeirinhas e assentadas.

Ana Márcia Scot ressaltou que a proposta formativa buscou dialogar diretamente com o cotidiano das escolas e com os diferentes tempos de aprendizagem das crianças. “Os encontros de formação voltados para as turmas multisseriadas são fundamentais porque dialogam diretamente com a realidade das nossas escolas do campo. Não trabalhamos com uma lógica de séries isoladas, mas com crianças que aprendem juntas, em diferentes tempos e níveis de desenvolvimento”, disse. Ela explicou que a metodologia privilegiou atividades práticas, construção de materiais e reflexão sobre situações reais vividas em sala de aula.

A supervisora acrescentou que a multisseriação deve ser compreendida como uma potencialidade pedagógica, e não como limitação. Para isso, a formação estimulou o uso de temas geradores relacionados ao território, com destaque para hortas escolares, mapas da comunidade, rodas de conversa, pesquisas com as famílias, relatos e atividades investigativas. A orientação, segundo ela, é fazer com que o currículo converse com a vida dos estudantes e torne a aprendizagem mais significativa.

Entre os participantes esteve a diretora da Escola Municipal Fazenda Aleluia, Danielle Machado Braga, que avaliou o encontro como uma oportunidade de aprofundamento e troca de experiências. “Aprendemos sobre como trabalhar com turmas multisseriadas com uma fala e contextualização própria da cultura local e do território onde estão inseridos e as dinâmicas de trazer o contexto da realidade para sala de aula”, afirmou.

Ao reunir educadores em torno de práticas alinhadas à Educação do Campo, a formação reforçou a importância de um ensino construído a partir do território, dos modos de vida e das necessidades das comunidades. A iniciativa também ampliou o debate sobre equidade, permanência escolar e valorização dos saberes locais como parte do processo de aprendizagem.

Por Jorge Rocha / Fotos: Divulgação

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