Edital da FAPERJ impulsiona crescimento da iMicro Biotech, empresa participante do Startup Campos

A ciência que sai do laboratório e encontra espaço na lavoura ganhou novo impulso em Campos dos Goytacazes. A startup iMicro Biotech teve o projeto “Consolidação tecnológica e expansão de mercado de bioinoculantes para soja e milho com foco em produtividade e bioeconomia” selecionado no Edital FAPERJ nº 07/2026, dentro do Programa Agro do Futuro, Tecnologia e Soberania Alimentar, uma chamada voltada a soluções capazes de unir inovação, produtividade e sustentabilidade no campo.

Júlia Moreira Rosa, CEO da startup que participou do Startup Campos, programa de apoio à inovação tecnológica da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), explica que a iniciativa foi desenhada para transformar resultados já observados em campo em uma operação mais robusta. “A iMicro Biotech desenvolve bioinsumos inovadores para a agricultura, com foco em aumentar a produtividade e disponibilizar tecnologias mais resistentes às adversidades do campo. E a provação de nosso projeto vai nos levar a um outro patamar”, afirmou. Segundo ela, os inoculantes biológicos já passaram por validações em condições reais e apresentaram ganhos de produtividade de até 6% na soja e 15% no milho.

Júlia também ressalta que este novo ciclo do projeto vai além da pesquisa e entra em uma fase decisiva de estruturação para o mercado. “O projeto tem como objetivo consolidar as tecnologias desenvolvidas pela startup, avançando em maturidade tecnológica, escalonamento produtivo, melhorias nos bioprocessos e estruturação regulatória para registro no MAPA”, disse. A meta, segundo ela, é ampliar a atuação no Rio de Janeiro e em outras regiões agrícolas, além de medir impactos ambientais, com atenção especial à redução de emissões de CO2.

A proposta da empresa mira três objetivos centrais. O primeiro é consolidar a tecnologia dos bioinoculantes já desenvolvidos, com mais validações técnicas e comerciais. O segundo é ampliar a produção e levar a solução a um número maior de agricultores. O terceiro é fortalecer a bioeconomia agrícola, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos e ampliando o uso de alternativas biológicas com menor impacto ambiental.

Dentro dessa caminhada, o Startup Campos teve papel decisivo. O programa ofereceu apoio para a formação de empresas de base tecnológica por meio de bolsas, mentorias e incubação. Júlia resume essa fase como o começo de tudo. “O Startup foi o primeiro incentivo que a gente teve, não só para o negócio rodar, mas ele foi nos capacitando e moldando”, afirmou.

Segundo a CEO, a participação no programa ocorreu logo após a conclusão do doutorado e foi fundamental para transformar pesquisa em negócio. Nesta fase, a equipe passou a receber suporte em gestão empresarial, planejamento estratégico, assessoria jurídica, contabilidade, desenvolvimento empreendedor, modelagem de negócios e acesso a editais de fomento. Esse acompanhamento ajudou a startup a entender a dinâmica empresarial e a se preparar para novas rodadas de crescimento e financiamento.

Para a gerente de Programas, Projetos e Parcerias da Subsecretaria de Ciência e Tecnologia e coordenadora do Startup Campos, Adriana Crespo, o resultado confirma a força do ecossistema local de inovação. “A aprovação da startup em um edital tão competitivo confirma a qualidade das soluções que estão sendo desenvolvidas em Campos dos Goytacazes e reforça o potencial do município como um polo de inovação voltado para os desafios do agronegócio, da sustentabilidade e da bioeconomia”, afirmou. Ela acrescentou que o avanço da empresa mostra como o investimento público pode gerar desenvolvimento concreto.

Os efeitos desse apoio apareceram nas conquistas seguintes. A iMicro Biotech passou pela incubação na TEC Campos, participou de editais da FAPERJ e de programas do Sebrae, fortaleceu sua equipe técnica e ampliou a captação de recursos para pesquisa e desenvolvimento. Em 2026, foi uma das oito startups do Startup Campos contempladas pelo Programa Pesquisador na Empresa da FAPERJ, com recursos para contratar mestres e doutores voltados ao desenvolvimento tecnológico.

A trajetória da iMicro Biotech começou em 2022, quando pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) fundaram a empresa com foco em biotecnologia aplicada ao agronegócio. A startup nasceu com a missão de criar tecnologias biológicas capazes de melhorar o desempenho das lavouras e reduzir a dependência de insumos convencionais. Ao longo desse percurso, a empresa saiu do ambiente acadêmico para testes controlados e, depois, para o campo, onde passou a conquistar produtores do Norte Fluminense, de Campos, de Macaé e do Sul do Espírito Santo.

O edital que abriu espaço para esse novo avanço também tem peso estratégico. Lançado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) com orçamento de R$ 25 milhões, o Programa Agro do Futuro busca apoiar projetos voltados ao agronegócio e à cadeia de alimentos no estado. A chamada valoriza bioinsumos, biotecnologia, agricultura de precisão, rastreabilidade, internet das coisas e inteligência artificial, além de estimular soluções que aumentem a produtividade, reduzam impactos ambientais, fortaleçam a segurança alimentar e consolidem negócios ligados à bioeconomia.

Por Jorge Rocha / Fotos: Divulgação 

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