Disponibilizar ferramentas pedagógicas acessíveis, gratuitas e que funcionem sem conexão com a internet é o principal objetivo do Portal Pedagógico de Educação Especial, desenvolvido pela Gerência de Educação Especial (GEE) da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct). A plataforma reúne dez atividades digitais voltadas ao atendimento de estudantes com necessidades educacionais especiais e está em fase de divulgação junto a professores, mediadores e cuidadores da rede municipal de ensino de Campos. O recurso pode ser utilizado em celulares, tablets e computadores diretamente pelo navegador, sem necessidade de instalação.
Criado por iniciativa de Alamir Rodrigues, auxiliar de secretaria da GEE, o portal surgiu a partir da observação das demandas enfrentadas diariamente pelos profissionais que atuam na Educação Especial. Segundo ele, a proposta foi desenvolver uma ferramenta simples e funcional, capaz de apoiar o trabalho pedagógico mesmo em ambientes com acesso limitado à internet. “Percebi que professores e mediadores precisavam de recursos práticos, acessíveis e que pudessem ser utilizados em qualquer contexto. A ideia foi oferecer uma solução que pudesse ser aberta rapidamente no celular ou em outros dispositivos, sem depender de instalações ou conexão com a rede”, afirmou.
A plataforma foi construída em um único ambiente digital, utilizando tecnologias leves que dispensam servidores e bancos de dados. O sistema opera integralmente offline e pode ser executado em diferentes dispositivos com navegador de internet. Alamir explica que o desenvolvimento ocorreu de forma gradual ao longo de algumas semanas e contou com o apoio de ferramentas de inteligência artificial para acelerar etapas da implementação. Apesar da simplicidade da estrutura, o portal reúne recursos interativos que favorecem o uso imediato em contextos educacionais diversos.

As atividades foram planejadas para estimular habilidades fundamentais no processo de aprendizagem e à participação dos estudantes na rotina escolar. Entre os recursos disponíveis estão ferramentas de comunicação alternativa para alunos não verbais, exercícios de reconhecimento emocional, apoio visual para organização da rotina, práticas relacionadas à Libras, atividades de atenção visual, discriminação auditiva, coordenação motora, percepção do tempo e estratégias de autorregulação emocional. A proposta é oferecer instrumentos que possam ser incorporados às práticas pedagógicas de forma flexível, respeitando as características e necessidades de cada estudante.
Para a coordenadora da Educação Especial da Seduct, Rosângela Queiroz, a plataforma representa uma alternativa importante para fortalecer o atendimento educacional especializado. Segundo ela, o diferencial de funcionar sem internet amplia significativamente as possibilidades de utilização nas unidades escolares. “O portal foi concebido para ampliar o acesso a recursos pedagógicos de qualidade e apoiar o trabalho realizado nas Salas de Recursos Multifuncionais. As atividades contribuem para o desenvolvimento da comunicação, da autonomia, da atenção, da coordenação motora e da interação social, sempre considerando o ritmo e as particularidades de cada aluno”, destacou. Rosângela também ressalta que a iniciativa está alinhada às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e às políticas públicas voltadas à educação inclusiva.
Embora ainda não esteja em uso formal na rede municipal, a expectativa é que o Portal Pedagógico passe a integrar gradualmente as práticas desenvolvidas nas escolas após o período de apresentação aos profissionais da Educação Especial. Para Alamir, o projeto vai além da tecnologia e reflete o trabalho coletivo realizado pela equipe da GEE. “O Portal Pedagógico nasceu da escuta das necessidades reais dos profissionais que atuam diretamente com os estudantes. Cada recurso foi pensado para apoiar esse trabalho e contribuir para uma educação mais inclusiva. O resultado é fruto do compromisso compartilhado por professores, mediadores, cuidadores e gestores que se dedicam diariamente ao desenvolvimento dos alunos”, concluiu.
Por Jorge Rocha / Foto: Alicio Gomes