Projeto “Memória da Escola” será implantado em agosto e amplia política de Educação Patrimonial na rede municipal

O projeto “Memória da Escola”, que será implantado pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) a partir de agosto, vai transformar a história das unidades da rede municipal em instrumento de ensino, pesquisa e fortalecimento da identidade escolar. A iniciativa terá início nas escolas da Educação Escolar Quilombola, com duração inicial de três meses, e prevê a criação de Centros de Memória, espaços físicos e digitais destinados à preservação, organização e utilização pedagógica dos registros históricos de cada unidade. A ação integra a política de educação patrimonial da secretaria e fortalece a implementação do Programa Municipal de Educação Patrimonial “Nossa História, Nossa Escola”, instituído pela Lei Municipal nº 9.811, de 8 de junho de 2026.

Mais do que reunir fotografias, documentos e objetos, o projeto propõe transformar a memória escolar em ferramenta de ensino e aprendizagem. A iniciativa parte do princípio de que conhecer a trajetória da escola, do território e das pessoas que ajudaram a construir a educação municipal fortalece o sentimento de pertencimento, aproxima estudantes da realidade em que vivem e amplia as possibilidades de desenvolvimento de projetos pedagógicos contextualizados. A proposta também busca consolidar uma rede municipal de memória, preservando não apenas a história de cada unidade escolar, mas também a evolução das políticas públicas educacionais de Campos dos Goytacazes.

A diretora pedagógica da Seduct, Viviane Terra, destaca que a iniciativa amplia o papel da escola como espaço de formação cidadã. “O projeto ‘Memória da Escola’ convida estudantes, profissionais da educação e comunidade a reconhecerem que cada escola possui uma história construída por diferentes gerações. Quando transformamos essa memória em recurso pedagógico, fortalecemos vínculos, valorizamos identidades e tornamos o processo de aprendizagem mais significativo”, relata. 

A implantação dos Centros de Memória será acompanhada por um percurso de formação continuada voltado aos profissionais das escolas, abordando educação patrimonial, memória escolar e organização de acervos. As unidades também receberão um guia de orientações para apoiar a criação dos espaços e a integração das atividades ao currículo. Segundo o gerente de Diversidade e Inclusão da Seduct, Diego Henrique, os centros irão além da preservação de documentos. “Os Centros de Memória serão ambientes vivos de pesquisa, produção de conhecimento e valorização das histórias de cada território. Nosso objetivo é fazer com que estudantes e educadores compreendam que a memória da escola também representa a memória da comunidade, fortalecendo o diálogo entre educação, cultura e identidade.”

A escolha das escolas da Educação Escolar Quilombola para a etapa inicial reconhece a importância da ancestralidade, das tradições e dos saberes presentes nesses territórios. Após a conclusão dessa fase, a expansão ocorrerá de forma gradual, considerando indicadores educacionais, características dos territórios e as especificidades das diferentes modalidades de ensino. 

A assistente da Gerência de Diversidade e Inclusão, Simone Pedro, explica que o projeto vinha sendo elaborado e estruturado pelo setor com o objetivo de transformar a memória e a educação patrimonial em ferramentas de fortalecimento das práticas pedagógicas. A iniciativa busca contribuir para a permanência dos estudantes na escola, a melhoria do fluxo escolar e o avanço das aprendizagens. “Avançando no âmbito conceitual da Lei 9811, o projeto desenha a estrutura de governança, os instrumentos pedagógicos e os caminhos necessários para transformar os princípios estabelecidos em ações concretas no cotidiano das escolas da Rede Municipal de Ensino”, detalha Simone. 

O projeto também fortalece as ações já desenvolvidas pela Seduct no campo da educação patrimonial. Entre elas estão as visitas pedagógicas ao Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho, ao Museu Histórico de Campos e os roteiros educativos pelo Centro Histórico da cidade. Essas experiências aproximam os estudantes de documentos, edifícios, monumentos e demais bens culturais do município, ampliando a compreensão sobre a formação histórica e social de Campos dos Goytacazes e transformando o patrimônio em recurso permanente para o processo de ensino.

A iniciativa dialoga diretamente com o Programa Municipal de Educação Patrimonial “Nossa História, Nossa Escola”, criado pela Lei Municipal nº 9.811, que instituiu a educação patrimonial como política pública permanente na rede municipal. A legislação estabelece como diretrizes a valorização da história e da memória local, o fortalecimento da identidade cultural, a aproximação dos estudantes dos espaços históricos e culturais do município e o incentivo à atuação conjunta entre escolas, universidades, instituições culturais e sociedade civil. Também prevê ações como visitas guiadas, aulas de campo, projetos interdisciplinares, produção de materiais didáticos, exposições itinerantes, feiras culturais, concursos escolares e registros audiovisuais sobre a história campista.

Ao integrar o “Memória da Escola” ao programa municipal, a Seduct amplia uma política que busca incorporar o patrimônio histórico e cultural ao cotidiano das unidades escolares de forma contínua. A proposta reforça o entendimento de que a cidade, seus territórios e as histórias construídas pelas comunidades são elementos fundamentais da aprendizagem, contribuindo para a formação cidadã, para a valorização da identidade local e para a preservação da memória coletiva de Campos dos Goytacazes.

 

Por Jorge Rocha / Fotos: Carlos Grevi / Gerência de Diversidade e Inclusão

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