Ciência e tecnologia deixaram de ocupar apenas os laboratórios e passaram a integrar uma agenda que envolve escolas, universidades, empresas e políticas públicas em Campos dos Goytacazes. É nesse ponto de encontro que atua a Subsecretaria de Ciência e Tecnologia, vinculada à Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), responsável por coordenar iniciativas de pesquisa, inovação, formação científica e empreendedorismo. A estrutura funciona no Centro Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (CETEC), instalado no Palácio da Cultura, e tem à frente, desde agosto de 2025, o subsecretário Henrique da Hora.
A atuação da Subsecretaria aproxima o conhecimento produzido no município dos problemas que precisam de respostas concretas. Isso envolve desde a iniciação científica de crianças e jovens até pesquisas universitárias, criação de negócios inovadores e articulação com empresas e instituições de pesquisa. “Os aspectos de Ciência e Tecnologia estão atribuídos não apenas à educação básica, mas também à ciência e tecnologia do município como um todo”, destaca o subsecretário.

Um dos principais instrumentos dessa política é o Mais Ciência na Escola, voltado à iniciação científica na rede municipal. Em 2026, o programa recebeu 223 propostas e chegou a 117 projetos selecionados, envolvendo 41 escolas, 107 professores e 457 estudantes. As pesquisas abrangem diferentes áreas do conhecimento e procuram inserir a investigação científica no cotidiano escolar desde os primeiros anos da formação. “O programa leva laboratórios, projetos científicos desde os anos iniciais, despertando a curiosidade e a busca pelo saber em nossos estudantes”, explica Henrique. Para ele, esse contato precoce com a ciência contribui para formar uma sociedade com mais conhecimento e capacidade de inovação.
Em uma etapa voltada ao ensino superior, o Mais Ciência trabalha com projetos de pesquisa, iniciação tecnológica e extensão articulados às necessidades do município. No ciclo de 2026, foram aprovadas 80 propostas, sendo 55 de demanda induzida e 25 de demanda espontânea, com participação de instituições como a Universidade Federal Fluminense (UFF), o Instituto Federal Fluminense (IFF) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). Os estudantes recebem bolsas de R$ 700 mensais e os projetos contam com R$ 1.500 de auxílio de bancada. “O novo ciclo do Mais Ciência já foi iniciado, investindo nos nossos universitários para que eles possam se dedicar a apoiar, propor soluções e apresentar ideias para os desafios municipais”, afirmou Henrique.

O modelo também procura fazer com que os resultados das pesquisas retornem à sociedade. Os projetos são vinculados à demandas de diferentes órgãos municipais, abrangendo temas como educação, saúde, mobilidade, agricultura, patrimônio, defesa civil e sustentabilidade. Para Henrique, essa aproximação permite “nos apropriarmos da inteligência que está no município a favor da própria população”, transformando demandas da administração em temas de pesquisa e abrindo espaço para soluções desenvolvidas a partir da capacidade técnica existente em Campos.
No campo do empreendedorismo, o Startup Campos completa esse percurso ao apoiar profissionais e estudantes interessados em transformar conhecimento e tecnologia em negócios. O programa é desenvolvido em parceria com a Tec Campos Incubadora, onde os participantes recebem orientação, capacitação e acompanhamento para amadurecer suas empresas. Em 2026, oito empresas vinculadas ao programa captaram cerca de R$ 1,2 milhão em recursos da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Henrique resume a proposta ao dizer que o programa “traz mentes criativas para que aqui prosperem ideias tecnológicas”.

Formação e tecnologia
Essa articulação alcança também a formação dos profissionais da educação por meio da Escola de Formação de Educadores Municipais (EFEM). A escola foi institucionalizada como Escola de Governo pela Lei nº 9.779, de 8 de abril de 2026, e está vinculada à Subsecretaria de Ciência e Tecnologia, com autonomia pedagógica para desenvolver formações e certificações. Em 2026, a EFEM passou a integrar a rede de polos do Programa de Aperfeiçoamento de Professores de Matemática do Ensino Médio (PAPMEM), do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). “Assim como o nosso estudante precisa se atualizar, também os nossos professores. A sociedade se moderniza e os professores também precisam se atualizar”, afirma Henrique.
O espaço físico onde essas ações se concentram também ajuda a explicar a proposta. O CETEC reúne a Subsecretaria e seus programas, enquanto o Palácio da Cultura passou a abrigar, no mesmo complexo, a EFEM e a Diretoria de Programas e Projetos (DPP). Apesar de compartilharem o espaço e desenvolverem ações relacionadas à tecnologia e à educação, DPP e Subsecretaria não são a mesma estrutura administrativa. A DPP integra a Seduct e atua diretamente em projetos pedagógicos e tecnológicos da rede, como o Cidadania 21, o Estação Educação, as Salas Maker, o Núcleo de Experimentação em Educação Digital (NEED) e iniciativas de computação, robótica e educação midiática.

Parceiras e financiamentos
A construção desse ambiente depende de uma rede de parceiros que inclui universidades, instituições de pesquisa, empresas, incubadoras e órgãos de fomento. A Tec Campos Incubadora ocupa papel importante nesse processo por oferecer suporte às empresas selecionadas pelo Startup Campos, enquanto Uenf, UFF e IFF ampliam as possibilidades de pesquisa, formação e desenvolvimento tecnológico. “A inovação não acontece de forma isolada. Precisamos conectar a capacidade científica das universidades, a formação dos institutos federais, a experiência das empresas e a capacidade de articulação do poder público”, afirma Henrique. Segundo ele, essa aproximação permite que projetos acadêmicos encontrem caminhos para chegar ao mercado e que demandas da sociedade também possam retornar às instituições como oportunidades de pesquisa.
A relação com a Faperj também ganhou espaço na estratégia da Subsecretaria. Em 2026, nove projetos da Seduct foram aprovados em editais da fundação voltados à realização de eventos científicos e tecnológicos, entre eles a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, a Feira Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação e o TEC Summit Fluminense. “Os editais da Faperj são importantes porque ampliam a capacidade de realização do município. Nosso trabalho é identificar as oportunidades, orientar as instituições e construir propostas que tenham qualidade e estejam alinhadas às demandas de Campos”, explica Henrique. A atuação inclui ainda a aproximação institucional com a agência estadual e o apoio à elaboração de projetos para chamadas competitivas.

Na frente de infraestrutura para inovação, a proposta que concentra as expectativas para os próximos anos é o TEC Energia – Parque Tecnológico de Transição Energética e Inteligência Artificial. O projeto foi aprovado na segunda etapa do edital INFRALAB 2025 da Faperj e prevê laboratórios e áreas compartilhadas para prototipagem, testes e certificações, com foco em energia eólica offshore, energia solar, hidrogênio verde e inteligência artificial. A estrutura está prevista para a região da Pecuária, ao lado da Fundação Norte Fluminense de Desenvolvimento Regional (Fundenor), e pretende aproximar universidades, startups, empresas e demandas estratégicas relacionadas à economia regional e ao Porto do Açu.
Para Henrique, o TEC Energia representa uma continuidade do trabalho iniciado com o Startup Campos. “A ciência e tecnologia têm um papel indutor das políticas públicas. Então, o papel de uma prefeitura é também liderar o desenvolvimento tecnológico e, ao mesmo tempo, dar as condições para que este desenvolvimento aconteça”, afirmou. Segundo ele, o parque poderá atender empresas que já passaram pela fase inicial de incubação e precisam de infraestrutura para avançar em desenvolvimento, testes e expansão. “A Subsecretaria está atenta à preservação dos resultados do Startup Campos”, acrescentou.
Com programas que acompanham diferentes etapas, da curiosidade científica na escola à pesquisa universitária, da formação docente à criação de empresas e da incubação ao desenvolvimento de infraestrutura tecnológica, a Subsecretaria organiza uma política que busca conectar conhecimento e aplicação. O desafio passa a ser transformar essas conexões em resultados permanentes para Campos. Nesse percurso, a atuação conjunta com UFF, IFF, Uenf, Tec Campos, Faperj e demais parceiros amplia as possibilidades de financiamento, pesquisa e inovação, enquanto projetos como o Mais Ciência, Mais Ciência na Escola, Startup Campos, EFEM e TEC Energia estruturam diferentes portas de entrada para esse ecossistema.
Por Jorge Rocha / Fotos: Carlos Grevi