A Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) deu início, nesta sexta-feira (21), às ações do Projeto Logicamente, na Escola Municipal Professora Wilmar Cava Barros, no bairro Jóquei Clube. A iniciativa une oficinas destinadas aos estudantes e formação de professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, com foco no desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático e na ampliação de práticas pedagógicas mais dinâmicas e investigativas.
As ações acontecem por meio da Escola de Formação dos Educadores Municipais (Efem), com apoio dos bolsistas do Programa de Iniciação Científica da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas (PIC-OBMEP).
A coordenação é dos professores Alex Cabral Barbosa, pós-doutor em Educação Matemática doutor em Ciências Naturais, coordenador orientador do Programa de Iniciação Científica da OBMEP – Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e professor do Instituto Federal Fluminense (IFF); além de Nelson Machado Barbosa, coordenador do Programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional – PROFMAT, mestre e doutor em Modelagem Computacional com ênfase em Matemática Aplicada.

Segundo a professora e assessora da Efem, Livia Guedes, a proposta busca aproximar a matemática de situações práticas e significativas, utilizando materiais manipuláveis, jogos pedagógicos e recursos do Laboratório de Matemática. As atividades estimulam habilidades como resolução de problemas, criatividade, argumentação, investigação e trabalho colaborativo.
Ela explicou que, nesta primeira etapa, o projeto contempla alunos do 4º ano do Ensino Fundamental, que participam de oficinas práticas conduzidas com a colaboração dos bolsistas. O projeto abrange experiências que favorecem uma aprendizagem baseada na experimentação e na participação ativa dos estudantes.
“Um dos diferenciais do Logicamente é que a iniciativa não se restringe ao trabalho com os alunos. Enquanto as crianças participam das oficinas, os professores também vivenciam um momento formativo na própria unidade escolar, conhecendo possibilidades de utilização dos materiais do Laboratório de Matemática e discutindo estratégias que podem ser incorporadas à rotina da sala de aula”, destacou Livia.
O encontro formativo, acrescenta Livia, busca ampliar o repertório dos docentes para o desenvolvimento do pensamento lógico-matemático, além de apresentar propostas que poderão ser adaptadas ao cotidiano escolar e contribuir para a preparação dos estudantes para experiências futuras, como a participação em olimpíadas de Matemática.

Os encontros têm duração de duas horas, com oficinas para os estudantes e formação destinada aos professores. A ação também contou com participação da formadora e professora de matemática, Natália Rodrigues Coutinho.
“Mais do que trabalhar conteúdos, o Logicamente pretende estimular nas crianças a curiosidade, o pensamento estratégico e a capacidade de encontrar diferentes caminhos para solucionar desafios, ao mesmo tempo em que proporciona aos professores novas possibilidades para tornar a aprendizagem matemática cada vez mais significativa”, acrescentou Livia.
Ludicidade

Para Alex Cabral, a proposta de apresentar a matemática aos alunos do 4º ano de uma forma diferente — mais leve, vibrante e lúdica — mostrou como o aprendizado ganha e muda vidas quando sai do abstrato.
“Ao utilizarmos materiais concretos, os estudantes puderam manusear conceitos, testar possibilidades (no escape room) e colocar em prática, com autonomia e entusiasmo, tudo aquilo que vivenciam no dia a dia da sala de aula com a ótima qualidade de aula que recebem todos os dias de seus professores. A matemática deixou de ser um desafio distante para se tornar uma descoberta palpável e divertida”, opinou.
Na opinião do coordenador, o ponto alto dessa vivência esteve no brilho nos olhos que tomou conta do ambiente. “Era visível a alegria dos alunos da escola ao compreenderem novos caminhos, mas era igualmente emocionante observar esse mesmo brilho estampado nos rostos de Andrielly e Heitor. Ver o empenho, o cuidado e a maturidade com que ambos conduziram a mediação pedagógica revelou a beleza do processo de ensino-aprendizagem em sua forma mais pura: uma via de mão dupla onde quem ensina também se transforma”, destacou Alex.
Ele afirmou, ainda que, participar dessas atividades renovam a vocação e dão um sentido profundo à prática pedagógica. “Supervisionar os estudantes Andrielly e Heitor foi um privilégio, testemunhando de perto o poder transformador de uma educação feita com alegria, afeto, dedicação e propósito”, completou Alex.
Bolsistas
Os bolsistas Andrielly Zanela e Heitor Espinosa são estudantes de engenharia da computação e tutores do projeto. Ela falou sobre sua experiência com os estudantes.
“Foi muito bom, muito incrível, uma experiência enriquecedora tanto para mim quanto para eles, uma tarde muito legal, muito descontraída. A gente tentou pensar com carinho no que a gente iria trabalhar. Fomos pela via da geometria, pois acreditamos que seja uma parte mais fácil de poder abordar num mundo lúdico da matemática. Por ser tratar de figuras geométricas, então dava para fazer várias coisas. E o que eles mais gostaram foi o escape room, e eles interagiram muito. Vi os olhinhos brilhando, respondendo, trabalhando em grupo também, discutindo as ideias, gerando riso. Enfim, foi bem divertido, muito empolgante. Uma experiência que eu vou levar pra minha vida toda”, garantiu.
Heitor fez coro com a colega bolsista. “Também gostei bastante. Eu não esperava que as crianças fossem engajar tanto assim nas atividades e o fato delas terem ficado animadas com as atividades que a gente propôs, com os jogos e as brincadeiras, foi muito legal, isso animou a gente também. A gente conseguiu cumprir com o que a gente tinha pensado de fazer eles gostarem um pouco mais da matemática e terem uma experiência positiva, era o que a gente estava buscando. E no final eles ficaram com pena que tinha acabado, pois tinham aprendido muita coisa. Isso é um retorno muito positivo para a gente. Gostei bastante de ter participado, ter me envolvido ali com as crianças, ter a oportunidade de estar ali conversando, no olho no olho, e poder ver ali a forma com que cada um absorve o conhecimento, com cada criança temos que falar de um jeito e vamos adaptando essa comunicação para cada tipo de criança. É bem difícil, mas é uma experiência bem gratificante”, informou.