O projeto “Arduínas: meninas no controle de práticas experimentais das Ciências Exatas e da Terra”, desenvolvido pelo Mais Ciência, programa de incentivo à iniciação científica da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), vem aproximando meninas da pesquisa científica e do universo da tecnologia por meio de ações lúdicas, experimentais e de debate sobre gênero. Coordenado por Maria Priscila Pessanha de Castro, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), o trabalho articula rodas de conversa, produção de materiais didáticos e atividades com Arduino para estimular o protagonismo feminino nas ciências exatas.
Desenvolvido com uma proposta participativa e lúdica, o projeto trabalha com bolsistas Jovens Talentos, vinculadas à Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), em atividades que unem diálogo, escuta e criação. Maria Priscila explicou que Arduínas foi pensado em dois eixos. “Esse primeiro eixo é para o desenvolvimento de uma discussão de gênero, de mulheres na ciência. O que a gente faz são rodas de conversa, desenvolver jogos didáticos para que as bolsistas possam também desenvolver projetos de pesquisa e que tenham esse primeiro encontro com a ciência”, afirmou.
O grupo já produziu uma cartilha sobre disparidade de gênero e dois jogos de cartas voltados à valorização de cientistas mulheres. Para a coordenadora, o trabalho busca tornar o conteúdo mais próximo da realidade das alunas e ampliar as referências femininas dentro da escola. A proposta também prevê a criação de materiais de divulgação científica, como um folder com biografias de pesquisadoras e explicações acessíveis sobre os fenômenos ligados à desigualdade de gênero.

Além do debate sobre representatividade, Arduínas aposta na experimentação como forma de despertar o interesse das estudantes pelas Ciências Exatas. A próxima etapa prevê o retorno das atividades com Arduino, plataforma de baixo custo que permite trabalhar conceitos de física, programação e eletrônica em experiências simples e aplicáveis ao cotidiano escolar. “Agora o que nós pretendemos fazer seria dar continuidade e voltar a desenvolver os experimentos utilizando o Arduino, para que nós possamos discutir com esse conceito de física, a partir desses experimentos”, destacou Maria Priscila.
O Mais Ciência tem papel decisivo nessa trajetória ao oferecer o suporte institucional necessário para que a proposta avance no contexto da extensão universitária. Segundo Maria Priscila, “o programa dá respaldo formal ao trabalho, amplia sua visibilidade e abre portas para espaços de divulgação científica”, como o Congresso Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica (Confict), onde o projeto alcançou reconhecimento. Ela também destacou a rede de apoio construída em torno da iniciativa, com a colaboração da professora Elis Miranda, da UF, e da pós-doutora Adriana Cardinou, que contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento das ações.

Foi dentro desse ambiente que surgiu o subprojeto “Teto de Vidro: disparidades de gênero na pesquisa científica”, apresentado no XVIII Congresso Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica (Confict), realizado na UENF, em maio. O trabalho foi desenvolvido pela bolsista Maria Júlia Oliveira Mocaiber e conquistou o primeiro lugar entre os projetos do Mais Ciência apresentados no evento. Maria Priscila explicou a origem da proposta. “E esse recorte que fizemos foi um trabalho que colocamos para a aluna, para a bolsista do Mais Ciência, para ela estudar todos esses efeitos de disparidade de gênero na ciência”, concluiu.
Por Jorge Rocha / Fotos: Divulgação/Carlos Grevi