Uma caixa com recursos educacionais produzidos por estudantes da própria rede municipal poderá ampliar o acesso de crianças atípicas à estratégias de autorregulação nas escolas. A proposta foi apresentada nesta terça (16) pela Diretoria de Programas e Projetos (DPP) à subsecretária de Ensino, Célia Maria Ferreira, durante reunião realizada na sede da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct). A iniciativa reúne tecnologia, inclusão e protagonismo estudantil por meio da fabricação de materiais em impressoras 3D para utilização nas unidades escolares.
O projeto prevê a criação de caixas compostas por fidget toys, objetos manipuláveis que podem auxiliar estudantes na organização da atenção, na regulação emocional e na participação em atividades pedagógicas. Os recursos oferecem estímulos táteis e motores simples e podem integrar um conjunto mais amplo de estratégias educacionais, como rotinas visuais, identificação de emoções, pausas para movimento e espaços de regulação. A ação é desenvolvida de forma integrada pelos projetos Tecnologias Educacionais para Inclusão e Aprendizagem (TEIA) e Inova Maker: de aluno para aluno, ambos da DPP.

Segundo a diretora da DPP, Anna Karina Vieira de Azevedo Y Oviedo, a proposta busca transformar estudantes em produtores de soluções para a própria rede municipal. “Nossa ideia é que esse material seja produzido pelos alunos participantes do programa Mais Ciência do governo federal, que já trabalham com modelagem 3D na Escola José do Patrocínio, e por novos grupos que serão formados em outras escolas. Queremos que eles aprendam a utilizar as impressoras 3D, desenvolvam habilidades relacionadas à cultura maker e contribuam diretamente para a criação de recursos destinados às salas de recursos da rede. Será um material produzido pela rede para a própria rede”, destacou. Anna também explicou que a estrutura deverá funcionar em uma futura sala maker vinculada ao Núcleo de Inovação Digital (NID) e ao projeto Inova Maker.
A fase atual da iniciativa é dedicada à construção e avaliação dos primeiros modelos. De acordo com o supervisor de Projetos e Produção de Multimídia Digital, Igor Pacheco, os protótipos já permitem visualizar o potencial da proposta. “Esta caixa é um protótipo que reúne diferentes fidget toys pensados para apoiar a autorregulação dos estudantes. Nosso objetivo é atender dois públicos prioritários. O primeiro é formado pelas salas de recursos, que podem se beneficiar da incorporação de novas tecnologias educacionais. O segundo reúne escolas que ainda possuem acesso limitado a esse tipo de recurso e que precisam ampliar suas possibilidades de trabalho com tecnologias”, afirmou.

A supervisora de Acompanhamento Educacional Especializado, Danielle Muguet, ressaltou que os materiais não devem ser vistos como um fim em si mesmos, mas como instrumentos de apoio ao processo de aprendizagem. “Os recursos apresentados podem contribuir para a autonomia, a participação e a permanência dos estudantes nas atividades escolares. Quando utilizados dentro de um planejamento pedagógico adequado, eles complementam outras estratégias de autorregulação e fortalecem práticas educacionais mais inclusivas”, observou.
Após acompanhar a apresentação, a subsecretária de Ensino, Célia Maria Ferreira, destacou a integração entre inovação, inclusão e protagonismo estudantil proposta pelo projeto. “Estamos diante de uma iniciativa que une tecnologia, aprendizagem e atendimento às necessidades dos estudantes. Além de oferecer novos recursos para as escolas, o projeto envolve os próprios alunos na construção das soluções, promovendo conhecimento, criatividade e responsabilidade social. É uma proposta que merece ser ampliada e compartilhada em toda a rede”, afirmou. A proposta também será apresentada à secretária de Educação, Ciência e Tecnologia, Tânia Alberto, como parte das ações voltadas ao fortalecimento da inclusão e da inovação educacional no município.
Por Jorge Rocha / Fotos: Carlos Grevi