A formação “Estado e sociedade civil a partir de uma perspectiva histórica e social: encontros, conflitos e desafios à democratização”, promovida pela Escola de Formação de Educadores Municipais (EFEM), da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct), reuniu professores da Educação do Campo, das Águas e Florestas nesta quarta (19), no Palácio da Cultura. Conduzido pela professora Érica Terezinha Vieira de Almeida, o curso propõe uma reflexão sobre a formação histórica do Estado, sua relação com a sociedade e os diferentes caminhos de participação na construção de direitos. A programação prossegue na quinta (20) e integra os encontros de Formação e Alinhamento Pedagógico da EFEM.
Ao longo dos encontros, os educadores entram em contato com diferentes interpretações sobre a origem e o funcionamento do Estado e sobre as relações estabelecidas entre poder, autoridade, direitos e vida coletiva. Para isso, Érica retoma contribuições de pensadores como Nicolau Maquiavel, Thomas Hobbes e John Locke, utilizando essas referências históricas para estimular a compreensão de que as instituições e as relações sociais não são estáticas, mas resultam de processos marcados por disputas, interesses, acordos e conflitos.
A proposta ganha significado especial no trabalho desenvolvido nas escolas do campo, das águas e das florestas, onde questões relacionadas ao território e às condições de vida das comunidades estão diretamente ligadas às políticas públicas e aos direitos sociais. Segundo Érica, compreender essa dinâmica ajuda o professor a ampliar o olhar sobre temas presentes no cotidiano dos estudantes. “Quando conseguimos perceber que o Estado e a sociedade civil são construções históricas, conseguimos também compreender que os direitos, as políticas públicas e as decisões que interferem na vida das comunidades são resultado de relações sociais, disputas e formas de participação. Isso permite levar para a escola uma leitura mais crítica e próxima da realidade vivida pelos estudantes”, explica.
A professora destaca que esse conhecimento pode ser transformado em experiências pedagógicas concretas. A história das comunidades, as demandas dos moradores e os problemas existentes nos territórios podem servir de ponto de partida para pesquisas, entrevistas, debates e projetos interdisciplinares. Para ela, questões como educação, saúde, transporte, saneamento, preservação ambiental, trabalho, agricultura, pesca, uso da terra e dos recursos naturais podem ser estudadas pelos alunos em diálogo com as responsabilidades do poder público e com as formas de organização comunitária.
Bacharel em Serviço Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com mestrado e doutorado em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Érica é professora associada e pesquisadora da UFF e integra o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional, Ambiente e Políticas Públicas. Líder do Núcleo de Pesquisa em Dinâmica Capitalista e Ação Política (NETRAD), desenvolve estudos relacionados ao Estado, sociedade civil, políticas sociais, direitos, participação e protagonismo de diferentes grupos sociais. A formação da EFEM aproxima essa trajetória acadêmica da prática dos educadores, fortalecendo a reflexão sobre como a escola pode contribuir para que os estudantes compreendam sua realidade e participem da construção de soluções para os territórios onde vivem.
Por Jorge Rocha / Foto: Carlos Grevi