A tradição dos Bois Pintadinhos de Campos dos Goytacazes ganhou espaço no processo de formação continuada dos profissionais da rede municipal de ensino. A exposição “Meu Boi! Que Boi é Esse?”, em cartaz na Casa de Cultura Villa Maria, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), foi a primeira atividade realizada pelo projeto “Entre Olhares: Sentir e Transformar”, criado pela Escola de Formação de Educadores Municipais (EFEM), vinculada à Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct). A mostra pode ser visitada até sábado (12) e reúne elementos que ajudam a preservar e divulgar uma das mais tradicionais manifestações culturais do município.
Concebida pelo mestre carnavalesco Sérgio Viana, com participação de Luiz Cláudio Rosa, a exposição apresenta bois e mulas que compõem o universo dos Bois Pintadinhos, além de homenagear agremiações do Grupo Especial que contribuíram para a construção e a permanência dessa expressão cultural ao longo das gerações. A proposta aproxima o público de aspectos históricos, artísticos e identitários que fazem parte da memória coletiva campista.

As visitas mediadas realizadas no espaço cultural ampliam a experiência dos participantes e incentivam uma relação mais ativa com as obras expostas. Lívia Guedes, articuladora do projeto desenvolvido pela EFEM, explica que a proposta busca fortalecer a formação docente por meio de experiências que provoquem novas leituras da realidade. Segundo ela, a iniciativa integra uma estratégia permanente da escola de formação para diversificar os espaços de aprendizagem e reconhecer a cultura como elemento fundamental no desenvolvimento profissional dos educadores.
“A formação continuada dos professores também deve contemplar experiências em museus, casas de cultura, centros culturais e outros espaços de produção e circulação da arte e da cultura. Essa experiência formativa possibilita estabelecer novas relações que ampliam nosso repertório e transformam nosso olhar, trazendo oportunidades de enriquecermos nossas práticas pedagógicas, criando novas possibilidades para aproximar nossos estudantes da arte, da cultura e de diferentes formas de compreender e interpretar o mundo”, declarou.

Para Danuza Rangel, coordenadora do programa Arte na Escola – Polo Regional UENF, o trabalho desenvolvido durante os encontros busca estimular a reflexão por meio do diálogo e da observação. “A mediação educativa que oferecemos nas exposições da Casa de Cultura Villa Maria também é um exercício de aprender a perguntar. Não se trata de chegar diante de uma obra e explicar ao outro o que ele deve ver ou entender, mas de construir perguntas propositivas, perguntas que abram caminhos, que provoquem a atenção, a curiosidade e o pensamento”, afirmou.
Criado pela EFEM, o projeto “Entre Olhares: Sentir e Transformar” foi desenvolvido a partir da compreensão de que a formação dos educadores envolve não apenas conhecimentos pedagógicos e metodológicos, mas também experiências culturais, artísticas, científicas e sociais. A iniciativa promove a participação dos profissionais da educação em exposições guiadas previamente selecionadas e reconhecidas como experiências formativas, ampliando as possibilidades de contato com diferentes linguagens, territórios, autores, obras e formas de produção do conhecimento.
Por Jorge Rocha / Fotos: Divulgação